Poder e Governo
Governo envia observador para audiência nos EUA que ouvirá Flávio Bolsonaro
Itamaraty não vê a audiência pública como canal de negociação, mas como espaço de diálogo com a sociedade civil
O governo brasileiro invejou uma coletora da embaixada do Brasil em Washington para acompanhar a audiência pública promovida nesta segunda e terça-feira pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para discutir a possível imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A sessão é considerada a última etapa pública da investigação comercial aberta pelo governo americano antes da decisão definitiva, prevista para 15 de julho . Em viagem aos Estados Unidos, o senador e presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participa da audiência na terça-feira.
O Itamaraty não trata a audiência pública como canal de negociação, mas espaço para ouvir a sociedade civil e empresarial.
A última reunião virtual entre o ministro da Indústria e Comércio , Márcio Elias Rosa, e Jamieson Greer, representante do Comércio dos EUA, ocorreu na última quinta-feira . Uma nova conversa é esperada pelas autoridades brasileiras para os próximos dias. O governo está a nove dias do prazo final para os EUA anunciarem se vão ou não implantar uma taxação de 25% sobre produtos brasileiros.
Nesta audiência, representantes de empresas brasileiras e entidades argumentarão que, além das habilidades de negócios no Brasil, a tributação elevará custos para empresas e para o consumidor americano, aumentando investimentos e lucros no país.
O USTR concluiu a investigação comercial contra o Brasil e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, no dia 2 de junho , menos de um mês depois da visita de Lula a Trump na Casa Branca. Em paralelo, há ainda uma proposta de sobretaxa de 12,5%, vinculada à alegação de falta de ações suficientes do Brasil contra o trabalho proposto, o que pode levar o total a 37,5%.
Flávio Bolsonaro participou da audiência depois de apresentar um documento de 86 páginas ao USTR pedindo a suspensão das tarifas, a exclusão do Pix da disputa comercial e a abertura de uma negociação bilateral entre Brasil e Estados Unidos. No entanto, Flávio sustenta que a sobretaxa produziria efeito contrário ao pretendido por Washington, para fortalecer politicamente o Luiz Inácio Lula da Silva , e afirma que avaliações individuais contra autoridades brasileiras seriam mais práticas do presidente do que medidas que atinjam toda a economia.
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