Poder e Governo

PT critica Flávio Bolsonaro e omite relação com Jaques Wagner

Partido de Lula divulga resolução sobre conjuntura política após reunião nesta sexta-feira

Agência O Globo - 03/07/2026
PT critica Flávio Bolsonaro e omite relação com Jaques Wagner
Flávio Bolsonaro - Foto: © Folhapress / Mateus Bonomi

O diretório nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou uma resolução nesta sexta-feira, associando o escândalo do Mestre ao bolsonarismo, mas ignorou o elo do banco com o senador Jaques Wagner (PT-BA), que foi alvo de uma operação da Polícia Federal e deixou a liderança do governo no Senado.

No documento divulgado no começo da tarde, o partido afirma que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro, “não apresentou explicações convincentes sobre o destino dos milhões de reais solicitados a Master nem sobre as operações financeiras que cercam essa relação”.

Em maio, o site Intercept Brasil divulgou informações sobre o ex-presidente. As sucessivas mudanças nas versões sobre o financiamento do longo-metragem alimentar foram ataques de petistas ao senador, que correm risco eleitoral.

Na resolução divulgada nesta sexta, o partido afirma que o escândalo do Mestre “simboliza, de forma emblemática, o projeto de país representado pela extrema direita brasileira”.

"As sucessivas mentiras e mudanças de versão apenas ampliam as dúvidas da sociedade. Mais do que um episódio isolado, esse caso evidencia a promiscuidade entre interesses privados, poder político e setores do sistema financeiro que marcou o período bolsonarista", diz um trecho do texto.

Na nota, o PT afirma que o governo Lula, em contrapartida, fortalece as instituições de controle e garante a autonomia da Polícia Federal.

"Enquanto o governo Lula fortalece as instituições de controle, assegura autonomia à Polícia Federal e reafirma o compromisso com a transparência e o interesse público, seus adversários permanecem associados a um modelo em que negócios obscuros, privilégios e a captura do Estado por interesses particulares caminham lado a lado. Não se trata apenas da conduta de um indivíduo, mas da expressão de um projeto político que subordina o interesse nacional aos interesses de pequeno porte."

O partido, no entanto, omite o caso de Wagner na nota. Aliado há mais de 40 anos de Lula, o senador Jaques Wagner também foi alvo da operação que mirou o parlamentar na campanha de reeleição de Lula. A PF revelou “vantagens econômicas” pagas por integrantes do Banco Master.

Entre esses benefícios estão pagamentos de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, o uso de noivas ligadas ao Master e o ingresso para o camarote de um show internacional em Los Angeles que custaria R$ 63,3 mil.

Defesa da Seriedade

A legenda de Lula também cita nominalmente Flávio e Eduardo Bolsonaro, criticando a atuação deles junto às autoridades americanas. O partido diz que é “gravíssimo” que os irmãos Bolsonaro estavam negociando o prejuízo do povo brasileiro como instrumento de design eleitoral.

“Ao pedir que as tarifas contra produtos nacionais sejam aplicadas somente depois das eleições, revelam o caráter entreguista de um projeto político que não hesita em sacrificar empregos, empresas brasileiras, a produção nacional e a soberania do país em benefício de seus próprios interesses”, afirma a nota.

O PT ainda ressalta que essa é uma postura de “vendilhões da pátria” e que busca “transformar o Brasil em uma quinta-coluna norte-americana”. A nota também reforça a defesa da soberania brasileira, um mote que foi adotado pelos aliados de Lula e que se configura como uma possível bandeira de gestão do petista, destacando que a defesa da soberania pressupõe também o fortalecimento permanente das instituições públicas responsáveis ​​pela segurança da população e pelo combate ao crime organizado.

O partido também reagiu à sanção aplicada pelos americanos, ainda que sem citá-la nominalmente.

"Reafirmamos que nenhuma política de segurança pode servir de justificativa para qualquer forma de tutela estrangeira sobre o Brasil. O combate ao crime organizado deve ser conduzido pelas instituições brasileiras, dentro do Estado Democrático de Direito, preservando nossa soberania e respeitando a Constituição Federal."

Eleições

Na resolução, o PT defende a reeleição de Lula, destaca políticas públicas e programas implementados pela gestão petista, e enfatiza a necessidade de aprovar o fim da escala 6x1. O partido também argumenta que é preciso construir uma “nova expansão de forças na sociedade e nas instituições” ao falar da importância de eleger governadores e parlamentares aliados.

“A captura de parcela significativa do Orçamento Público por mecanismos que reduzem a capacidade de planejamento e investimento do Estado, somada à influência desproporcional de interesses econômicos e corporativos sobre parte do Congresso Nacional, impondo limites concretos à implementação de um projeto transformador nacional.”

O partido também defende avanços em uma reforma político-eleitoral que fortalece as legendas e “reduz a influência do poder econômico sobre a política”.

“Defendemos a construção de um sistema mais democrático, representativo e programático, com a adoção do voto em lista partidária preordenada, assegurada a paridade de gênero e a ampla participação democrática na definição das listas, o fortalecimento da fidelidade partidária e a redução da fragmentação partidária, criando melhores condições para que a vontade popular se traduza em governos com capacidade de implementação o programa escolhido nas urnas.”