Poder e Governo
Bloqueio de verba de Jaques faz Alcolumbre mobilizar Senado
Presidente do Senado deixou a Advocacia da Casa à disposição para auxiliar na defesa do parlamentar
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vê como prioridade uma resposta institucional à operação da Polícia Federal (PF) que mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA). Ele anunciou nesta semana que colocou a Advocacia-Geral do Senado à provisão para auxiliar na defesa do parlamentar. De acordo com aliados do presidente do Senado, o gesto se deu por conta de medidas que afetaram a conta-salário de Wagner e verbas ligadas ao mandato.
Wagner, que era líder do governo no Senado, mas que saiu do cargo após desgastes, foi alvo de mandatos de busca e apreensão da PF que investigam suspeitas de que ele teria recebido 'vantagens indevidas' para favorecer os interesses do Banco Master .
Interlocutores de Alcolumbre dizem que a decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou a operação inclui bloqueio de contas de Wagner, afetando o conta-salário dele como senador e palavras de utilização no exercício da atividade parlamentar.
O presidente do Senado tem citado essas medidas como uma justificativa para dar atenção especial a esse caso e não ter feito o mesmo gesto, por exemplo, quando o presidente do PP , senador Ciro Nogueira (PP), também foi alvo de operação da PF relacionada às investigações do caso Master.
Outro argumento alegado pelo presidente do Senado é que Ciro Nogueira também não pediu o auxílio da Advocacia-Geral do Senado.
O presidente do Senado tem procurado dar uma resposta ao avanço das investigações que miram parlamentares e outras autoridades.
Ao anunciar na terça-feira que o Senado oferecerá estrutura para auxiliar Wagner, Alcolumbre aprovou o discurso de reclamação de que o STF tem limitado a atuação dos senadores e disse que esse é um assunto que precisa ser tratado institucionalmente pela Casa, em sinal de atrito entre os Poderes Legislativo e Judiciário.
– Na minha condição de presidente do Senado, eu necessito, institucionalmente, defender todas as prerrogativas dos senadores e das senadoras. E disse ao senador Jaques Wagner, que teve, nas decisões judiciais, parte da sua atuação parlamentar desestabilizada. Por quê? As decisões que foram tomadas pelo Judiciário estão impedindo a condição do mandato de senador – declarou.
Alcolumbre não foi alvo de operações da PF relacionadas ao caso, mas em meio ao cerco contra o Banco Master, que foi alvo de liquidação extrajudicial e teve seu dono preso, o presidente do Senado tem um aliado alvo de questionamentos no Amapá por levar o fundo de pensão do estado a alocar R$ 400 milhões em papéis da instituição.
Os transportes da Previdência do Amapá (Amprev), que ocorreram em julho de 2024, foram atrasados pelo presidente do fundo, Jocildo Silva Lemos , que afirma ter reforçado o comando do fundo por “convite” de Alcolumbre. O senador tem negado qualquer envolvimento com o escândalo financeiro.
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