Poder e Governo
Flávio tenta resolver palanque no Rio após crises de aliados e reveses para Sóstenes e Castro
Senador participa nesta sexta-feira de seminário do PL na capital fluminense
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participa no Rio de Janeiro do 3º Seminário de Comunicação do Partido Liberal , nesta sexta-feira, em meio a uma sucessão de dificuldades para montar o palácio da legenda no estado, considerado estratégico para sua pré-campanha ao Palácio do Planalto.
Em pouco mais de um mês, o grupo perdeu o então nome principal ao Senado, viu um dos favoritos para substituí-lo perder força após o avanço de uma investigação da Polícia Federal (PF) e acompanha a pré-candidatura ao governador do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas (PL), dificuldades para crescer nas pesquisas.
Embora a programação oficial do evento seja voltada para estratégias de comunicação e redes sociais, os integrantes do partido afirmam que a presença de Flávio no Rio também será usada para intensificar conversas sobre o cenário eleitoral no estado.
O seminário reunirá nomes como o senador Rogério Marinho (PL-RN), o coordenador da campanha presidencial de Flávio, os deputados federais Bia Kicis (PL-DF), Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO), e Carlos Bolsonaro (PL-RJ), além de representantes de plataformas digitais, especialistas em comunicação e influenciadores.
Nos bastidores do PL , a avaliação é que a viagem de Flávio servirá para fortalecer a unidade do grupo e acelerar as definições sobre a chapa fluminense. O Rio é considerado estratégico para a campanha presidencial do senador por ser seu estado eleitoral e um dos principais redutos do bolsonarismo.
Integrantes da legenda afirmam, porém, que a sucessão de desgastes nas últimas semanas obrigou o partido a redesenhar parte da estratégia para o estado às vésperas da intensificação da pré-campanha.
A primeira baixa no palanque fluminense ocorreu no fim de maio, quando o então governador Cláudio Castro desistiu da candidatura ao Senado após ser alvo de operações da Polícia Federal (PF) relacionadas às investigações sobre transportes do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master e sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro . A saída obrigou o PL a reabrir a discussão sobre quem ocuparia a vaga na chapa ao lado do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil), que já estava definido como um dos candidatos ao Senado.
Naquele momento, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), passou a ser tratado pelos aliados de Flávio como um dos cotados para herdar a candidatura de Castro. Sóstenes, porém, perdeu força e foi praticamente descartado logo após.
Nesta quarta-feira, o parlamentar teve mais uma reviravolta: a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Rent a Car para aprofundar a investigação sobre um suposto esquema de desvio de recursos da cota parlamentar da Câmara dos Deputados.
Embora Sóstenes não tenha sido alvo da ação, a operação atingiu pessoas ligadas ao deputado e passou a investigar se a justificativa apresentada por ele para explicar a origem dos R$ 468 mil apreendidos em um endereço ligado ao parlamentar no ano passado foi construído posteriormente para dar aparências de legalidade ao dinheiro.
Como mostrou o GLOBO , integrantes do PL avaliaram que o avanço da investigação praticamente inviabilizou a indicação de Sóstenes para disputar o Senado. Outros nomes são discutidos internamente, entre eles o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) e o senador Carlos Portinho (PL-RJ).
Além das indefinições para o Senado, Flávio também enfrentou dificuldades para intervir na candidatura de Douglas Ruas ao governo do estado. Escolhido para liderar o projeto do PL no Rio, o presidente da Alerj aparece distante do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que liderou todos os cenários testados pela pesquisa Genial/Quaest divulgada em abril.
No melhor cenário para Ruas, ele registrou 11% das intenções de voto, enquanto Paes chega a 40% a depender dos concorrentes. Em uma eventual disputa de segundo turno, o ex-prefeito do Rio de Janeiro venceria por 49% a 16% para Ruas. O levantamento também mostrou que 71% dos candidatos afirmaram não conhecer o presidente da Assembleia Legislativa.
O desempenho nas pesquisas levou Ruas a iniciar um movimento para se desvincular politicamente de Cláudio Castro, de quem foi secretário de Estado das Cidades até março deste ano. Em entrevistas recentes, o pré-candidato afirmou que seu eventual governo não representaria uma continuidade da gestão do correligionário e criticou práticas adotadas "nos últimos cinco anos", período em que o estado foi comandado justamente por Castro.
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