Poder e Governo
Fachin faz balanço do ano no STF em meio à crise do Master e diz que Corte trabalhou 'a favor do Brasil'
Presidente do Supremo afirma que divergências entre ministros demonstram 'saúde institucional' e faz defesa da atuação da Corte
Após um primeiro semestre marcado por turbulências internas e pelo desgaste provocado pela investigação do Banco Master, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira que a Corte encerra a primeira metade de 2026 com a convicção de ter cumprido sua missão constitucional e trabalhado 'em favor do Brasil'.
Sem citar diretamente o caso Master, investigação que dominou parte da pauta política do Supremo nos últimos meses, que expôs divergências públicas entre ministros e levou a questionamentos sobre a atuação da Corte, Fachin fez um pronunciamento em defesa da unidade do tribunal e procurou relativizar os embates ocorridos ao longo do semestre.
— Encerramos o primeiro semestre de 2026 com a convicção de que o Supremo Tribunal Federal honrou, neste período, a missão que a Constituição lhe conferiu. Com as limitações próprias de toda instituição formada por seres humanos, com os acertos e inevitáveis erros que o exercício jurisdicional encerra, esta Corte trabalhou, e muito, em favor do Brasil — afirmou o presidente do STF.
Na sequência, Fachin ressaltou que as divergências entre ministros não representam um sinal de fragilidade da Corte.
— Estamos sempre juntos na defesa do interesse institucional. Compreensões distintas de fatos e processos, e elas existem, como é próprio de uma Corte plural e independente, são expressão de saúde institucional, não de fraqueza. O diálogo entre diferentes perspectivas jurídicas é o que confere legitimidade às nossas decisões e profundidade à nossa jurisprudência — disse.
A fala ocorre após meses em que o Supremo enfrentou sucessivos desgastes em razão da investigação sobre o Banco Master. Sob relatoria do ministro André Mendonça, o caso provocou um dos mais intensos embates recentes na Segunda Turma. Gilmar Mendes passou a fazer críticas públicas à condução da investigação, questionando prisões preventivas, a divulgação de documentos sigilosos e o que classificou como um 'erro crasso' na condução do processo.
Mendonça assumiu a relatoria do caso depois que o ministro Dias Toffoli, ainda em fevereiro, deixou o caso em meio a uma crise aberta pela divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) com dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Master.
O presidente do STF também fez uma defesa da democracia e afirmou que a atuação do STF continuará voltada à preservação das instituições.
— A democracia não é uma conquista definitiva. É uma construção permanente que demanda vigilância, dedicação e, acima de tudo, a disposição coletiva de resolver conflitos por meio da institucionalidade e do diálogo. O Supremo Tribunal Federal seguirá cumprindo esse dever republicano — declarou.
Ao fazer um balanço da atividade jurisdicional do semestre, Fachin destacou que o STF proferiu quase 60 mil decisões, das quais mais de 11 mil foram colegiadas, número que, segundo ele, demonstra 'o compromisso do Tribunal com a deliberação plural e a construção coletiva de suas decisões'.
Segundo os dados apresentados, o Plenário e as duas Turmas julgaram mais de 11,8 mil processos em sessões presenciais e virtuais durante o primeiro semestre. O presidente também ressaltou que, das 233 decisões liminares concedidas em 2026, apenas 24 ainda aguardam julgamento definitivo, sendo que a maior parte já está pautada para o segundo semestre.
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