Poder e Governo
Republicanos condiciona aliança com Flávio e negociação da vice a acordo em estados e participação no governo
Partido ameaça permanecer neutro na disputa presidencial se não houver entendimento sobre palanques estaduais, principalmente em Mato Grosso; legenda também reivindica espaço na área econômica
A possibilidade de o indicar o candidato a vice na chapa presidencial no RJ passou a depender de uma negociação mais ampla entre as duas legendas. À medida que se aproxima o período das convenções partidárias, a direção nacional do Republicanos passou a condicionar o apoio formal à pré-candidatura do senador à resolução de impasses em disputas estaduais e a um compromisso de participação em um eventual governo.
Segundo dirigentes envolvidos nas conversas, o principal ponto de tensão hoje é Mato Grosso. O Republicanos quer que o PL retire o apoio já anunciado ao senador Wellington Fagundes (PL) e passe a apoiar o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que disputará a reeleição. O estado se transformou na principal moeda de negociação entre as duas siglas.
Segundo interlocutores, se não houver acordo, a tendência é que o partido permaneça neutro na disputa pelo Palácio do Planalto, sem embarcar formalmente na candidatura de Flávio.
Embora Mato Grosso concentre hoje o principal foco de atrito, as negociações também passam por Minas Gerais e Espírito Santo. Em Minas, porém, o cenário é considerado mais avançado. Em reunião realizada no fim de maio entre o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e dirigentes das duas legendas no estado, o partido apresentou diferentes alternativas para manter a aliança.
Um dos cenários prevê o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) como candidato ao governo, tendo o empresário Flávio Roscoe (PL), ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), como vice. Outra possibilidade coloca Roscoe na cabeça da chapa, com um nome indicado pelo Republicanos na vice — entre eles o presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luiz Eduardo Falcão.
No Espírito Santo, dirigentes das duas legendas avaliam que o entendimento também está longe, uma vez que o Republicanos lançou o ex-prefeito de Vitória, , e o PL, o senador Magno Malta.
O calendário pressiona as negociações. As convenções partidárias começam em 20 de julho e precisam ocorrer até 5 de agosto. A expectativa é chegar à reunião com a maior parte dos acordos estaduais definida.
As conversas também avançam sobre a participação do Republicanos em um eventual governo Flávio Bolsonaro. Além da vaga de vice, dirigentes da legenda reivindicam espaço na equipe econômica, considerada uma área estratégica para o partido. A avaliação interna é que, caso Daniella Marques seja escolhida para compor a chapa presidencial, outro nome ligado ao Republicanos poderia assumir um ministério ou cargo relevante na área econômica.
Daniella, ex-presidente da e filiada ao Republicanos, passou a ser tratada por aliados de Flávio como a principal favorita para ocupar a vaga de vice. Nas últimas semanas, ela ganhou protagonismo na pré-campanha ao assumir a coordenação da agenda voltada ao eleitorado feminino, movimento interpretado por dirigentes das duas legendas como um sinal de fortalecimento de seu nome para a composição da chapa.
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