Poder e Governo
Flávio Bolsonaro e Milei se reúnem na Argentina e discutem aliança da direita na América Latina
Encontro com o presidente argentino durou cerca de uma hora e ocorreu na residência oficial do chefe de Estado, em Buenos Aires
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu nesta segunda-feira com o presidente da Argentina, Javier Milei, na Quinta de Olivos, residência oficial da Presidência argentina, em Buenos Aires. O encontro durou cerca de uma hora e, segundo membros da pré-campanha, foi marcado por manifestações de apoio do presidente argentino à candidatura do senador ao Palácio do Planalto.
Durante conversa, Milei teria afirmado que tem “certeza de que a onda azul vai chegar ao Brasil neste ano”, em referência ao avanço de governos de direita na América Latina.
Segundo membros da pré-campanha, a reunião serviu para aprofundar a aproximação política entre os dois. Entre os assuntos planejados foram o cenário político da América Latina, a cooperação entre governos conservadores, temas ligados à segurança pública, economia, os Acordos de Isaac e a relação bilateral entre Brasil e Argentina. Flávio, por sua vez, afirmou a Milei que a eleição brasileira de outubro representa “a última peça que falta no mapa da direita no continente”.
Após o encontro, Milei publicou em sua conta na rede X uma foto ao lado do senador acompanhada da mensagem: "Se viene la marea azul para Brasil de la mano de Flávio Bolsonaro" ("Vem aí a maré azul para o Brasil pelas mãos de Flávio Bolsonaro"). Em outra publicação, a Presidência Argentina concordou com o parlamentar brasileiro como "candidato a presidente da República Federativa do Brasil". A pré-campanha do senador pretende explorar a reunião como demonstração do alinhamento entre os dois líderes e como mais um capítulo da estratégia de aproximação com nomes da direita internacional.
A agenda com Milei ocorreu um dia depois de Flávio participar da Latin America Chairmen's Conference, evento da comunidade judaica global realizado na capital argentina. Em discurso, o senador defendeu o avanço de governos conservadores na América Latina e afirmou que o Brasil é o próximo país que deve integrar esse movimento.
— Nós, brasileiros, olhamos para esse mapa hoje com um pouco de inveja. Porque enquanto nossos vizinhos, um a um, escolhem a liberdade e a ordem, o Brasil ainda está preso ao passado. Somos uma peça que falta nesse mapa. E estou aqui para dizer, sem rodeios: em outubro, isso muda — afirmou, durante evento realizado em um hotel de luxo de Buenos Aires.
Flávio também elogiou as reformas econômicas inovadoras por Milei, criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e prometeu estreitar a relação entre os dois países caso seja eleito presidente. O presidente argentino voltará a se encontrar com o senador na noite desta segunda-feira, durante o jantar de encerramento da Conferência de Presidentes da América Latina, em Buenos Aires, do qual Flávio é convidado de honra. Milei fará a palestra principal do evento antes de embarcar para o Paraguai, onde participará da cúpula do Mercosul.
A agenda na Argentina dá continuidade à estratégia internacional adotada pela pré-campanha. Em maio, Flávio passou aos Estados Unidos, onde se reuniu com o presidente Donald Trump e membros do governo americano. Dias depois, a decisão do governo dos EUA de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas passou a ser explorada por aliados como demonstração da capacidade de articulação internacional do senador. Agora, o encontro com Milei é tratado pela campanha como mais um passo na construção de uma rede de apoio entre lideranças conservadoras no exterior.
A viagem a Buenos Aires ocorreu uma semana após uma crise provocada pela divulgação de vídeos em que Michelle Bolsonaro fez críticas públicas ao senador. Na avaliação de aliados, os compromissos internacionais ajudarão a recolocar a campanha em torno de temas como segurança pública, economia e política externa, reduzindo o espaço dedicado às disputas internacionais do bolsonarismo e reforçando a imagem de Flávio como interlocutor da direita latino-americana.
Após a passagem pela Argentina, Flávio seguirá para os Estados Unidos no início de julho para participar de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da investigação comercial aberta contra o Brasil. O senador pretende defender que eventuais medidas comerciais impostas pelos americanos atinjam o governo Lula, mas preservem os exportadores brasileiros e os setores da economia.
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