Poder e Governo
Pré-candidatura de Hélio Lopes em Roraima, bancada por Bolsonaro, irrita direita local
Flávio Bolsonaro lançou o nome do deputado ao Senado; movimento repete impasse provocado por Carlos Bolsonaro em Santa Catarina
Confirmada após uma série de vídeos publicados pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e pelos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro, a pré-candidatura do deputado Hélio Lopes (PL-RJ) ao Senado por Roraima atravessou os planos do diretório estadual da legenda.
A situação se assemelha à registrada em Santa Catarina no início do ano, quando a decisão de lançar o ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro na disputa por uma vaga no Senado frustrou o apoio pretendido pelo governador Jorginho Mello (PL) na campanha de reeleição do Esperidião Amin (PP).
Na última terça-feira (16/6), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como presidente do partido, apareceu nas redes sociais em um vídeo no qual lançou o nome de Hélio Lopes ao Senado por Roraima. Na gravação, Flávio afirmou que o parlamentar é alguém de “total confiança” e “escudeiro de campo” do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em outro vídeo, Eduardo Bolsonaro disse que o correligionário terá “conexão direta” com o irmão. Valdemar Costa Neto também publicou uma gravação em tom semelhante, destacando a proximidade entre Hélio Lopes e a família Bolsonaro. A escolha do deputado para a disputa partiu do próprio ex-presidente da República.
— É muito importante o presidente da República ter uma base forte na Câmara e no Senado, e o Hélio vai fazer parte dessa tropa — afirmou Flávio.
O plano de lançamento de Hélio Lopes ao Senado já era público desde março, quando o parlamentar transferiu o domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Roraima. Assim como ocorreu com Carlos Bolsonaro, a mudança foi mal recebida pelas lideranças locais.
Em nota divulgada à época, o diretório estadual do PL afirmou ter sido questionado pela decisão e declarou que Roraima “exige representação” com “conhecimento de sua dinâmica política, social e econômica” e “vínculo efetivo” com a população.
Em maio, o deputado Nicoletti anunciou sua pré-candidatura ao Senado pelo PL, sigla que se filiou em março. Ele passou a ocupar o espaço que seria do ex-prefeito de Boa Vista Arthur Henrique (PL), escolhido para disputar o governo estadual na eleição suplementar convocada após a cassação da chapa de Antônio Denarium (Republicanos) e Edilson Damião (União Brasil), eleitos em 2022.
Em entrevista à Rádio Folha, em maio, Nicoletti afirmou que não havia “tempo hábil” para Hélio Lopes construir uma candidatura no estado.
— Apesar de a gente ter uma amizade e estar sempre junto lá em Brasília, fomos pegos de surpresa aqui na executiva estadual. Eu deixo isso para o Arthur Henrique, presidente estadual, e o Valdemar decidirem — disse o parlamentar. — O tempo está correndo. A gente está em maio, quase chegando junho. Ele não é de Roraima, não tem trabalho em Roraima, não se apresentou ainda como candidato oficial pela executiva nacional. Eu não vejo tempo hábil.
Após a publicação dos vídeos de apoio a Lopes na semana passada, Nicoletti manteve a pré-candidatura ao Senado e lembrou que seu nome já havia sido endossado por Valdemar Costa Neto. Ele afirmou ainda que a definição sobre a disputa pela segunda vaga ao Senado “será conduzida com diálogo e responsabilidade” pelos diretórios nacionais e estaduais.
Outro ponto de atrito é a pré-candidatura de Tânia Ramos (União Brasil), ex-secretária estadual do Trabalho e Bem-Estar Social de Roraima. Ela conta com o apoio do cunhado, o ex-governador Antônio Denarium. Ambos apoiaram a candidatura de Arthur Henrique, presidente estadual do PL, na eleição suplementar do último domingo.
Eleito governador com 160.004 votos, Arthur Henrique obteve votação semelhante à obtida por Denarium em 2022, seu principal apoiador.
Em entrevista à Rádio Folha BV nesta semana, Arthur Henrique, filiado ao PL desde outubro de 2025, classificou o quadro das pré-candidaturas ao Senado como uma “quebra-cabeça”. Ele disse que Nicoletti foi “um grande parceiro” na eleição suplementar e destacou que o deputado federal aparece bem nas pesquisas para o Senado.
— Ele foi muito importante nesse processo da eleição suplementar, porque tem uma base no interior muito forte (...) A participação de Nicoletti foi fundamental na minha campanha e será novamente em outubro. A gente vai levar toda essa demanda para Brasília — afirmou Arthur Henrique.
O governador eleito também descreveu Hélio Lopes como “um grande parceiro do ex-presidente Bolsonaro, praticamente um irmão”, antes de exigir:
— É um nome forte para disputar a eleição.
Em seguida, Arthur Henrique disse que também existe a possibilidade de uma aliança com a federação União Brasil-PP.
— Isso impediria três candidatos, porque a coligação em si só pode ter dois. Isso precisa ser discutido em Brasília. Não tenho como dizer quem é de fato o candidato lá na federação. Mas eu sei que o Denarium quer lançar a Tânia e recebeu o meu apoio para isso. É um quebra-cabeça que vamos ter que construir até o final de julho.
A situação em Roraima repete, por parte, o impasse ocorrido em Santa Catarina no início do ano, quando foi anunciado que Carlos Bolsonaro se mudaria para o estado para tentar uma vaga no Senado.
A decisão foi lançada em um acordo prévio firmado pelo governador Jorginho Mello, que pretendia apoiar a deputada Carol de Toni (PL) e o senador Esperidião Amin (PP). Após o anúncio da entrada de Carlos na disputa, Carol de Toni chegou a ameaçar deixar o partido. Em maio, no entanto, foi confirmado que o PL teria chapa puro-sangue no estado.
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