Poder e Governo
De vídeo com acusações a aceno por pacificação: como evoluiu o conflito entre Michelle e Flávio Bolsonaro
Ex-primeira-dama ainda não sinalizou, nem para aliados próximos, se comparecerá ao encontro com mulheres conservadoras organizado pelo presidenciável
A primeira tentativa pública da pré-campanha do senador (PL-RJ) de reaproximação com resultado incerto. A ex-primeira-dama ainda não sinalizou, nem para aliados próximos, se comparecerá ao encontro com mulheres conservadoras organizadas pela presidência para a próxima quarta-feira, em Brasília. Na noite de sexta-feira, Flávio disse que o desentendimento com a madrasta
'Ele briga até com o irmão':
'Confiamos em você':
— Visitei meu pai hoje. Conversei com ele. Estava tudo bem. A saúde dele exigia cuidados ainda, mas (ele) estava sem solução. Para ficar bem claro, da minha parte é bola para frente. É página virada. Vim com a blusa branca, da paz. Vambora resgatar esse Brasil junto — disse Flávio enquanto chegava a Goiânia para participar da Romaria do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO).
Em vídeo divulgado na quarta-feira, a ex-primeira-dama afirmou ter sido "desrespeitada" e "maltratada" pelo enteado após se posicionar contra uma articulação do PL para apoiar uma aliança envolvendo o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo do Ceará. Michelle disse que, durante uma conversa telefônica, ouviu de Flávio que seria melhor que ela "ficasse fora das decisões do partido" porque teria "chegado ontem" e "não entendia nada de política".
O encontro com mulheres conservadoras, que deve ocorrer no comitê de campanha de Flávio, foi anunciado pelo próprio senador em nota divulgada em resposta ao vídeo em que Michelle expôs o atrito entre os dois. Na ocasião, Flávio afirmou que havia pedido à senadora Damares Alves (Republicanos-DF) que organizasse o encontro, sugeriu que a ex-primeira-dama fosse convidada e disse ter ligado para ela na manhã de quarta-feira, antes da publicação do vídeo, sem obter resposta.
No dia seguinte, o senador reforçou o convite. Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que a reunião está mantida e reiterou o apelo para que Michelle participasse.
— A reunião na próxima quarta-feira é mantida para tratar justamente das soluções que a gente vai propor para as mulheres de todo o Brasil, que acordam cedo, trabalham, estudam e cuidam das famílias — afirmou.
'De profundo aberto'
Na sequência, Flávio voltou a defender uma reconciliação com a ex-primeira-dama:
—De coração aberto, quero reforçar o convite que eu já tinha feito para Michelle. Justamente porque eu acredito que o diálogo, o respeito e a união serão sempre o melhor caminho. O convite segue de pé e o coração segue aberto, Michelle, porque a gente tem que focar no nosso Brasil. Resgatar nosso país e sozinho é muito mais difícil.
Segundo Damares, o encontro reunirá entre 30 e 40 lideranças femininas conservadoras para o alinhamento final das propostas de campanha voltadas para as mulheres.
— Devem participar deputadas, senadoras, gestoras públicas, médicas, professoras, assistentes sociais, juízas e delegadas — afirmou a senadora.
Nos bastidores da campanha, a reunião é vista como o primeiro passo de uma ofensiva voltada ao eleitorado feminino, que resiste a Flávio. A estratégia prevê uma série de agendas temáticas nos moldes do programa “Brasil Sem Medo”, lançada nas últimas semanas para apresentar as propostas de Flávio para a área de segurança pública. A ideia agora é consolidar um capítulo específico do plano de governo dedicado às mulheres antes de seu lançamento público.
Apesar disso, a presença da principal liderança feminina do bolsonarismo na agenda ainda é uma incógnita. Membros do PL afirmaram que, até ontem, Michelle não havia recebido qualquer convite formal para o encontro e aliados dizem que ela ainda não se decidiu sobre o assunto.
A avaliação dos aliados da ex-primeira-dama é que o movimento de Flávio ocorreu depois que ela passou a sinalizar publicamente que divulgaria um vídeo relatando sua versão do desentendimento entre os dois. Na segunda-feira, Michelle voltou a criticar a articulação do PL com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará e anunciou que falaria sobre o assunto. Dois dias depois, publicou uma gravação de quase 30 minutos em que afirmou ter sido “desrespeitada” e “maltratada” pelo senador.
Para membros da pré-campanha, no entanto, a participação de Michelle é considerada estratégica. Aliados registraram que ela se consolidou, à frente do PL Mulher, como uma das principais pontes do bolsonarismo com o eleitorado feminino e evangélico, segmentos em que Flávio busca ampliar sua presença.
Os interlocutores do Senado afirmaram que a reunião da próxima quarta-feira não foi concebida inicialmente como uma resposta à crise, mas admitiram que o episódio aumentou o peso político da reunião. Uma eventual presença de Michelle seria interpretada internamente como um sinal de distensão. A ausência, por outro lado, fortaleceria a percepção de que o desgaste entre madrasta e enteado permanece sem solução.
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