Poder e Governo
Valdemar minimiza críticas de Ciro Gomes a Jair Bolsonaro e defende apoio ao tucano no Ceará: 'Ele briga até com o irmão'
Aliança no estado foi criticada por Michelle Bolsonaro, que defende uma aliança da sigla a Eduardo Girão
O presidente nacional do PL, , minimizou críticas feitas pelo pré-candidato ao governo do Ceará (PSDB) ao ex-presidente e defendeu o apoio do partido ao tucano. A declaração ocorreu após a ex-primeira-dama criticar, em vídeo publicado nesta semana nas redes sociais, a aliança do PL com Ciro, lembrando declarações contra a família Bolsonaro.
Família, fé e anti-PT:
Disputa pelo Planalto:
Valdemar defende o apoio a Ciro como meio de vencer a eleição contra o PT, que aposta na campanha à reeleição do governador Elmano de Freitas. O presidente do PL também cita o racha familiar que colocou Ciro e o senador (PSB) em campos opostos desde 2022.
— O Ciro fala mal e briga até com o irmão, briga até... com a família toda. É o jeito dele. Agora o que que acontece? Não trata-se da nossa preferência. O Ciro é um homem sério, que tem muitos defeitos. Ele teve defeitos de atacar todo mundo. Mas é o único que tem chance de vencer o PT. Se nós não formos com ele, o governador do Ceará vai ser do PT. Se nós formos com ele, ele ganha a eleição — disse Valdemar à Rádio Gaúcha na quinta-feira.
Michelle, por sua vez, defende que o senador Eduardo Girão (Novo) seja o candidato da direita ao governo do Ceará e afirmou que um eventual apoio do PL a Ciro deveria ocorrer apenas em um segundo turno.
Apesar do apoio do PL, Ciro vem buscando se esquivar da nacionalização da campanha e descarta dar palanque para Flávio — no Ceará o presidente Lula teve 69,7% no segundo turno de 2022. A campanha do tucano planeja explorar pautas como saúde e segurança pública para a atacar gargalos da gestão de Elmano. Na quinta-feira, ele evitou falar sobre o vídeo de Michelle.
— Não vi o vídeo e nem vou ver. É uma questão do PL nacional e envolve coisas muito mais complexas do que a nossa paróquia aqui. Eu sigo aqui tranquilo. O eixo do nosso entendimento aqui é um projeto de emancipação do Ceará que nós consideramos que está sendo muito mal tratado.
Racha familiar
Ciro e Cid Gomes estão afastados há cerca de três anos, após discordarem sobre quem deveria ser o candidato do PDT, partido que integravam, no pleito estadual de 2022. O senador defendia a continuidade da então governadora Izolda Cela, que assumiu o cargo após a saída de Camilo para disputar as eleições. Já Ciro bancou a candidatura do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio.
O objetivo de Ciro era ter um palanque no estado em sua campanha ao Planalto, quando disputou com Lula. O PT, que defendia a candidatura de Izolda, rompeu com o PDT e lançou Elmano. O petista teve 54,02% dos votos, e o aliado de Ciro, 14,14%.
Atrás de Ciro nas pesquisas, o campo petista tenta fortalecer a chapa de Elmano pressionando Cid a disputar a reeleição para antagonizar com o irmão.
Com a presença de Cid na chapa, o PT deseja utilizar esse antagonismo familiar para fortalecer Elmano. Mas o senador resiste, mesmo com a pressão pública da irmã, a deputada estadual Lia Gomes (PSB). Ele afirma ter um compromisso firmado com o deputado Junior Mano para que ele seja o candidato do PSB ao Senado. A defesa da candidatura do aliado também é justificada por Cid pelo apoio angariado por Junior Mano entre prefeitos — mais de 40 já se comprometeram a atuar na campanha. A segunda vaga da chapa de Elmano ao Senado deve ser distribuída para outro partido da base do governo.
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