Poder e Governo
Tucano histórico e defensor do impeachment de Dilma, Aloysio Nunes se filia ao PSB em evento com Alckmin em SP
Apesar de postura anterior anti-PT, ex-chanceler foi uma das primeiras lideranças do PSDB a apoiar a eleição de Lula em 2022
O ex-senador e ex-chanceler Aloysio Nunes Ferreira se filiou ao PDB nesta sexta-feira (26), em São Paulo, em um evento que contou com lideranças do partido como o vice-presidente Geraldo Alckmin e a deputada federal Tabata Amaral. Ele não será candidato nas eleições de outubro (o prazo para a filiação de candidatos terminou em abril), mas, de acordo com fontes ouvidas pelo GLOBO, ingressou na legenda para emprestar seu "peso político" ao grupo.
Figura histórica do PSDB, Aloysio, de 81 anos, deixou a legenda em 2024 e, desde então, reside em Bruxelas, na Bélgica, onde atua na Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A pasta foi ocupada por mais de três anos por Alckmin, também egresso do PSDB e próximo de Nunes.
O PSB tem peso importante na composição da chapa da esquerda em São Paulo: a ex-ministra Simone Tebet será candidata ao Senado ao lado de Marina Silva (Rede), enquanto Márcio França concorrerá a a vice-governador junto de Fernando Haddad (PT), que encabeça a chapa .
'Quero ver a Dilma sangrar'
Em maio de 2022, ainda no PSDB, Aloysio Nunes Ferreira foi um dos primeiros tucanos a declarar apoio a Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, Alckmin, já no PSB, havia acabado de ser anunciado como vice do petista. O ex-governador João Doria, então no PSDB, ainda postulava uma candidatura à presidência, mas Nunes não via viabilidade na ideia.
– A hipótese de uma terceira opção vigorar e ter êxito não existe. Hoje 70% dos eleitores já estão nessa polarização (...) Hoje só tem duas vias: a democracia e autoritarismo. Presto as minhas homenagens ao ex-governador Ciro Gomes (então no PDT e hoje no PSDB), cuja candidatura é bom que se mantenha, já que tem o seu recado a dar. Mas só quem tem condição de liderar um movimento popular é o Lula – disse Aloysio à época.
A posição contrastava com declarações e posturas anteriores de Aloysio, sobretudo durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. O então tucano foi um duro crítico da ex-presidente e chegou a dizer que queria vê-la "sangrar" politicamente.
– Não quero o impeachment, quero ver a Dilma sangrar — disse, ao participar de seminário no Instituto Fernando Henrique Cardoso (IFHC), na capital paulista. Dois anos antes, ele tinha concorrido a vice-presidente na chapa derrotada de Aécio Neves (PSDB).
Nascido em 1945, Aloysio Nunes é advogado formado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP. Ao longo da vida pública, foi duas vezes deputado estadual (entre 1983 e 1991), vice-governador do estado (1991 a 1994) e deputado federal por três vezes (1995 a 2007).
Em 1997, filiou-se ao PSDB, onde permaneceria por 27 anos. Antes de se tornar um tucano, foi filiado ao PMDB e Partido Comunista Brasileiro.
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