Poder e Governo
Governo avalia que carta é tentativa de Rubio de legitimar Flávio como interlocutor no tarifaço
Auxiliares de Lula enxergam empenho de secretário de Estado americano a favor do filho de Bolsonaro na eleição brasileira
ntegrantes do governo brasileiro avaliam que a carta de resposta de Marco Rubio é uma tentativa do secretário de Estado americano de legitimar o senador e pré-candidato a presidente do PL, Flávio Bolsonaro (RJ), como interlocutor no tarifaço.
De acordo com a coluna da jornalista Malu Gaspar, a correspondência foi enviada na última terça-feira em resposta à carta do início de junho em que Flávio fez um apelo para os Estados Unidos não adotarem um novo tarifaço contra o país.
Rubio diz na resposta que os trâmites da investigação comercial incluem uma consulta e uma audiência públicas coordenadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR na sigla em inglês), oportunidades nas quais o caso do Brasil poderia ser debatido junto ao governo americano. Flávio já anunciou que participará da audiência no dia 6 de julho.
Para um auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Rubio, o principal aliado da família Bolsonaro no primeiro escalão da gestão de Donald Trump, tenta, com a carta, dar a Flávio um status que o senador não tem.
O governo brasileiro não enviará representantes para a audiência de 6 de julho porque considera que esse não é o foro adequado para as autoridades do país se manifestarem. As negociações oficiais estão ocorrendo em um grupo de trabalho, com as participações dos ministros da Indústria e Comércio do Brasil, Marcio Elias Rosa, e o chefe da USTR, Jamieson Greer, criado após a visita de Lula a Trump na Casa Branca no dia 7 de maio.
A alegação é que nenhum país investigado com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, como é o caso do Brasil, se manifestou nas audiências, que são voltadas para exposição do setor privado. O governo acredita que Flávio usará a audiência para tentar afastar as acusações de que trabalhou para que os produtos do país sejam tarifados.
No dia 2 de junho, o USTR anunciou a conclusão de uma investigação comercial com sugestão de adoção de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 15 de julho. São citadas na investigação práticas comerciais consideradas desleais, que vão do uso do Pix, passando por questões de propriedade intelectual, a decisões judiciais e desmatamento.
Para auxiliares de Lula, será difícil convencer os americanos a não aplicarem o tarifaço. No Planalto, a avaliação é que há interesse do governo Trump em ajudar na eleição de Flávio. Se a tarifa não for aplicada, seria uma vitória da gestão Lula.
Mesmo com poucas expectativas, o Brasil pretende manter as negociações. Há uma expectativa de que Elias Rosa e Greer tenham, pelo menos, mais uma reunião até 15 de julho.
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