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Em carta a Mendonça, pai de Vorcaro diz que está 'apertado' financeiramente e faz parte do 'Reino de Deus, não de máfia'

Henrique Vorcaro pede revogação da prisão, que foi mantida pela Segunda Turma do STF

Agência O Globo - 25/06/2026
Em carta a Mendonça, pai de Vorcaro diz que está 'apertado' financeiramente e faz parte do 'Reino de Deus, não de máfia'
André Mendonça - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Preso há mais de um mês em uma penitenciária de Minas Gerais, o empresário Henrique Vorcaro apelou à religiosidade do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para tentar convencê-lo a liberá-lo da cadeia. Em carta endereçado ao ministro, o pai do banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que "não é máfia, bandido nem desonesto".

"Faço parte do Reino de Deus, de Jesus Cristo. Não de máfia. Nunca fiz nada de mal a ninguém nem participei de esquema de turma nenhuma", escreveu Henrique Vorcaro, que é membro da Igreja Batista da Lagoinha. Henrique se referia ao grupo chamado "A Turma", que, segundo a PF, foi mantido financeiramente pelo empresário mesmo após a prisão do filho - o que teria justificado a sua detenção.

No julgamento em que a prisão de Henrique Vorcaro foi mantida pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), Mendonça afirmou que o caso Master tinha "contornos de máfia".

Além de pregar a inocência, o pai de Vorcaro descreveu que sofre com picos de pressão alta, recentemente passou mal dentro da cela e teme morrer no presídio.

"Meu corpo ficou todo anestesiado, meus braços completamente dormentes e uma dor de cabeça enorme. Fiquei apavorado, mas com a graça de Deus orei e depois de um tempo passou. Na cadeia não tenho menor estrutura, se tiver que sair às pressas tem só uma UPA por perto que não conseguiria me salvar se tivesse um pico de pressão para baixo ou para cima, poderia ser fatal", disse ele, que está encarcerado em uma cela destinada a alvos por crimes federais no complexo prisional Nelson Hungria, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

No texto, Henrique Vorcaro explicou que conhece Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, há dez anos em função de o Sicário ser amigo do seu genro. Alvo da mesma operação que prendeu Vorcaro, em março, Sicário morreu devido a ferimentos causados por uma tentativa de suicídio ocorrida na Superintendência da PF, em Minas Gerais, para onde havia sido enviado.

"[Sicário e o genro] me ofereceram vários projetos para investir: imóveis, cemitério no Rio de Janeiro, fazenda de eucalipto, empresa de software de autoescola, os quais não quis investir", narrou ele.

O empresário afirmou que, depois da morte de Sicário, passou a ser ameaçado pela irmã dele, que lhe cobrou as dívidas deixadas pela família Vorcaro.

"Eu disse claramente que nosso negócio comercial com o irmão dela eram bons para a família, mas eram empreendimentos, não em dinheiro agora, e já tínhamos adiantado muito. Estava apertado, não queria ser chantageado e extorquido, tentei apaziguar, mas disse que ela fizesse o que quisesse pois não tinha nada a temer", afirmou.

Por fim, Henrique Vorcaro recorreu à religiosidade de Mendonça, que é pastor e membro da Igreja Presbiteriana, para que revogasse a prisão preventiva. Em 16 de junho, a Segunda Turma do STF decidiu manter a prisão de Henrique por três votos contra um.

"Peço a Deus que o senhor seja tocado pelo Espírito Santo para discernir o que é a verdade. Peço que revogue esta prisão o mais rápido possível. Em nome de Jesus. Estou preso há 34 dias, preciso sair. Não posso viver essa injustiça absurda", concluiu o pai do banqueiro.