Poder e Governo
Saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado abre debate sobre substituição
Após reunião com Lula, senador baiano deixa o posto; Camilo Santana e Teresa Leitão estão entre os cotados
A saída de Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado, após a operação da Polícia Federal que expôs suspeitas envolvendo sua relação com o Banco Master, abriu as articulações para a escolha de um substituto. Entre os nomes cotados estão os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Teresa Leitão (PT-PE). A decisão caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A avaliação entre governistas é que a permanência de Wagner no cargo poderia dar munição ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como um dos principais adversários de Lula no cenário eleitoral.
Ex-ministro da Educação, Camilo é visto por parte do PT como um nome forte para a função, pela interlocução política que mantém com Lula e também com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A aproximação com o presidente da República se consolidou durante o terceiro mandato de Lula.
Mesmo em períodos de distanciamento entre Lula e Alcolumbre, especialmente desde o fim do ano passado, em meio à disputa pela indicação ao Supremo Tribunal Federal, Camilo manteve boa relação com o presidente do Senado. Ele chegou, inclusive, a acompanhá-lo em inaugurações de equipamentos da área de educação no Amapá.
Apesar disso, há uma avaliação de que o ex-ministro não deveria assumir a liderança neste momento, por precisar concentrar esforços nas articulações eleitorais. Integrantes do partido entendem que Camilo deverá dedicar mais tempo ao Ceará para evitar que o governo estadual saia das mãos do PT.
O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) tem ameaçado o projeto de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). O próprio Camilo é citado como possível candidato ao governo caso Ciro cresça nas pesquisas e consolide favoritismo.
Diante desse cenário, aliados avaliam que a líder do PT no Senado, Teresa Leitão (PE), pode ser uma alternativa mais viável para substituir Wagner. Com mandato até 2030, ela teria maior disponibilidade para permanecer em Brasília nesta reta final de sessões do Congresso antes das eleições.
Apesar da indefinição, governistas não veem uma disputa interna capaz de dividir o partido em torno da escolha. A avaliação é que a função está, neste momento, esvaziada pela proximidade do período eleitoral e que qualquer senador do PT poderia desempenhar o papel.
O governo ainda pretende votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala de trabalho 6x1. No entanto, a expectativa é que o avanço da medida dependa de um diálogo direto entre Lula e Alcolumbre.
Na semana passada, Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal em investigação sobre suspeitas de que teria recebido “vantagens indevidas” para favorecer interesses do Banco Master.
Entre governistas, o entendimento é que qualquer pronunciamento ou encaminhamento feito por Wagner na condição de líder do governo no Senado poderia aproximar o caso Master de Lula.
Também houve críticas à forma como Wagner respondeu a perguntas durante entrevista à BandNews, na quinta-feira. Integrantes do partido avaliaram que o senador expôs Lula ao afirmar que o presidente o procurou para conversar sobre o caso, o que, na leitura desses aliados, aproximou ainda mais o escândalo do Palácio do Planalto. Lula ainda não comentou publicamente o episódio.
Uma declaração do senador, ao dizer que Lula já enfrentou situações mais graves, provocou insatisfação no entorno do presidente e entre integrantes do PT.
— Ele já teve até problemas maiores do que esse, como eu tive, mas ele muito pior, porque foi preso — afirmou Wagner na entrevista.
Flávio Bolsonaro usou trechos da entrevista, incluindo essa fala, para tentar associar o caso envolvendo o Banco Master a Lula.
Apesar da insatisfação, a cúpula do PT afirma confiar que Wagner provará sua inocência. O partido também deve oferecer estrutura para sua defesa política e manter apoio à campanha de reeleição do senador.
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