Poder e Governo
Entenda o conflito no PL do Ceará que levou ao rompimento entre Michelle e Flávio Bolsonaro
Ex-primeira-dama afirmou que o senador a “maltratou” e a “desrespeitou” após ela se posicionar contra apoio a Ciro Gomes
O vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro nesta quarta-feira ampliou a crise no núcleo bolsonarista em meio às divergências sobre o rumo político do PL no Ceará. A ex-primeira-dama afirmou que o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL ao Planalto, a “maltratou” e a “desrespeitou” durante uma ligação. Segundo ela, o episódio ocorreu após seu posicionamento contrário a uma aliança entre o PL e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no estado.
Desde dezembro, quando Flávio anunciou que havia sido escolhido pelo pai como nome do bolsonarismo para disputar a Presidência, Michelle tem se mantido distante do projeto político dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. A relação, porém, já havia se deteriorado cerca de um mês antes do anúncio, em razão das articulações políticas no Ceará.
Flávio classificou como “autoritária” a postura da ex-primeira-dama depois que Michelle se manifestou contra a aliança costurada no Ceará para que o bolsonarismo apoiasse Ciro Gomes na disputa pelo governo estadual. Ela defende o nome do senador Eduardo Girão (Novo) para o pleito.
Nome do PL ao Senado no Ceará é outro ponto de conflito
O apoio a Ciro Gomes não é o único ponto de divergência entre Michelle e Flávio. A escolha do nome do PL para disputar o Senado pelo Ceará também provoca atritos entre o senador e a ex-primeira-dama. O tema deve ganhar destaque em um evento do PL cearense, previsto para o mês que vem, que reunirá os dois.
O diretório estadual do PL no Ceará pretende lançar o deputado estadual Alcides Fernandes ao Senado na chapa de Ciro. A articulação tem o apoio de Flávio. Michelle, por sua vez, irá ao Ceará para participar do lançamento da pré-candidatura ao Senado de Priscila Costa, vice-presidente nacional do PL Mulher e uma de suas principais aliadas.
O PL deve decidir, até o fim da convenção partidária, prevista para o fim de julho, se ficará com a candidatura de Fernandes ou de Costa ao Senado.
No vídeo publicado nesta quarta-feira, Michelle defendeu que Priscila Costa atuou de forma decisiva na campanha de André Fernandes (PL), presidente estadual da sigla e filho de Alcides, à Prefeitura de Fortaleza em 2024. Para a ex-primeira-dama, o que a aliada “recebeu em retribuição é revoltante”.
— Ela poderia estar cuidando do seu próprio mandato. Em vez disso, dedicou-se integralmente à campanha de André, aproximando o público feminino, diminuindo a rejeição, abrindo portas que estavam fechadas. Fez uma diferença real e significativa. Não vencemos a eleição por muito pouco, mas nos mantivemos firmes aos nossos valores. André chegou a outro patamar com a ajuda e a dedicação da Priscila.
Michelle também afirmou que a candidatura de Priscila Costa teria sido “definida” em acordo com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.
— O que aconteceu depois foi que, aproveitando-se da prisão do Jair, começaram a trabalhar para eliminar a Priscila da disputa, cedendo a vaga dela para garantir uma aliança com Ciro Gomes. Se o André queria agradar o Ciro Gomes, por que ele não ofereceu a vaga do seu próprio pai? Será que ele acha que retirar a vaga de uma mulher seria mais justo e fácil?
A ex-primeira-dama ainda sustentou que Eduardo Girão “é o único verdadeiro representante das pautas da direita na disputa pelo governo do Ceará”.
Ao comentar a situação no estado, Michelle disse, em referência a Ciro, que tem “o direito de achar errado uma aliança com quem sempre se declarou inimigo do pai deles”.
— Não vou trocar valores por pragmatismo político oportunista. Também não estou impedindo ninguém de fazê-lo, mas acho errado fazê-lo no primeiro turno. Ciro não terá meu apoio nunca e, na minha opinião, não deveria ter de ninguém da direita que apoia Bolsonaro — afirmou Michelle. — Não estou exigindo que se desfaça aliança no Ceará, mas que se adie para o segundo turno.
Estado “estratégico”
Estado que expôs a divisão na família Bolsonaro, o Ceará ocupa posição estratégica nos planos eleitorais do PL. Segundo o senador Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha de Flávio ao Planalto, a sigla projeta eleger seis deputados federais no estado — atualmente, a bancada conta com três parlamentares.
— O Ceará, para nós, é estratégico. Vamos estar lá no dia 10 de julho para dar apoio às nossas candidaturas. Faremos seis deputados federais, essa é a nossa expectativa. Também teremos candidato ao Senado — disse Marinho a jornalistas na quarta-feira.
Nas eleições de 2022, o Ceará deu vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista obteve 69,97% dos votos no estado, enquanto Jair Bolsonaro alcançou 30,03%.
Mais lidas
-
1ALARME FALSO
'Misantropia': sistema da Defesa Civil é invadido e dispara mensagem falsa em várias cidades
-
2EDUCAÇÃO
Filho de Luciano Huck e Angélica relata principal dificuldade na preparação para o vestibular
-
3OCORRÊNCIA
Acidente envolvendo carreta deixa duas vítimas fatais no trecho da Chã dos Costas
-
4TRÂNSITO
Detran-RJ vai exigir exame toxicológico de quem tirar primeira habilitação para carros e motos
-
5ECONOMIA
6 estratégias para humanizar a gestão e acelerar os resultados de vendas