Poder e Governo

Camilo Santana e Teresa Leitão são cotados para liderança do governo no Senado

Reunião com Lula definiu que Jaques Wagner deixará o cargo após operação da Polícia Federal

Agência O Globo - 24/06/2026
Camilo Santana e Teresa Leitão são cotados para liderança do governo no Senado
Camilo Santana - Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

A saída de Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado, após a operação da Polícia Federal que revelou suspeitas envolvendo sua relação com o Banco Master, abriu as conversas sobre a substituição no posto. Os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Teresa Leitão (PT-PE) são cotados para a vaga. A escolha caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A avaliação entre governistas é de que a permanência de Wagner no cargo poderia dar munição política ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dos principais adversários de Lula no campo eleitoral.

Ex-ministro da Educação, Camilo é apontado por parte do PT como o nome mais forte para a função, em razão da interlocução política com Lula e também com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O senador cearense se aproximou do presidente da República durante o terceiro mandato de Lula.

Mesmo em momentos de distanciamento entre Lula e Alcolumbre, acentuado desde o fim do ano passado pela disputa em torno de nomeações ao Supremo Tribunal Federal, Camilo manteve proximidade com o presidente do Senado. Ele chegou a acompanhá-lo em inaugurações de equipamentos da área de educação no Amapá.

Apesar disso, há uma avaliação de que o ex-ministro da Educação não deveria assumir a liderança neste momento, por precisar concentrar esforços nas articulações eleitorais. Integrantes do PT entendem que Camilo terá de passar mais tempo no Ceará para evitar que o governo estadual saia das mãos do partido.

O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) tem ameaçado o projeto de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). O próprio Camilo é citado como possível candidato ao governo do Ceará caso Ciro cresça nas pesquisas e consolide favoritismo.

Por esse motivo, a líder do PT no Senado, Teresa Leitão (PE), passou a ser considerada uma alternativa mais viável para substituir Wagner. Com mandato até 2030, ela teria maior disponibilidade para permanecer em Brasília nesta reta final das sessões do Congresso antes das eleições.

Apesar da indefinição, aliados do governo não veem uma disputa interna capaz de dividir o partido em torno da escolha. A avaliação é de que a função está mais esvaziada neste momento, diante da proximidade do calendário eleitoral, e que qualquer senador do PT teria condições de exercê-la.

O governo ainda pretende votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala de trabalho 6x1, mas o entendimento é de que o avanço da medida dependerá de um diálogo direto entre Lula e Alcolumbre.

Na semana passada, Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal em investigação sobre suspeitas de que ele teria recebido “vantagens indevidas” para favorecer interesses do Banco Master.

Para governistas, cada encaminhamento ou discurso de Wagner no Senado na condição de líder do governo poderia reaproximar o caso Master de Lula e ampliar o desgaste político para o Palácio do Planalto.

Também houve críticas à forma como Wagner respondeu a perguntas em entrevista à BandNews, na quinta-feira. Integrantes do partido se queixaram de que o senador expôs Lula ao mencionar que o presidente o procurou para conversar, o que teria aproximado ainda mais o episódio do chefe do Executivo. Lula ainda não comentou publicamente o caso.

Uma declaração de Wagner, ao dizer que Lula já enfrentou situações piores, provocou insatisfação no entorno do presidente e entre integrantes do PT.

— Ele já teve até problemas maiores do que esse, como eu tive, mas ele muito pior, porque foi preso — disse o senador na entrevista.

Flávio Bolsonaro usou trechos da entrevista de Wagner, incluindo essa fala, para associar o caso Master a Lula.

Mesmo com a insatisfação, a cúpula do PT afirma confiar que Wagner provará sua inocência. A legenda também deve oferecer estrutura para sua defesa política, além de manter apoio à campanha de reeleição do senador.