Poder e Governo
Jaques Wagner se reúne com Lula e deixa liderança do governo no Senado
Senador afirmou nas redes sociais que a decisão foi tomada de comum acordo após investigação da PF apontar supostas vantagens indevidas para atuação em favor do Banco Master
Após quase uma semana de crise e pressão pela saída, o senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou a liderança do governo no Senado. A mudança foi acertada em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada, e representa uma tentativa de conter o desgaste provocado pela investigação sobre a suposta atuação do parlamentar em favor do Banco Master em troca de vantagens indevidas. O encontro durou cerca de duas horas.
Em publicação nas redes sociais, Wagner afirmou que a decisão foi tomada de "comum acordo" e classificou a reunião com Lula como uma "conversa entre amigos".
Nos últimos dias, o parlamentar foi aconselhado por aliados próximos, especialmente do PT da Bahia, a deixar o posto para concentrar esforços em sua defesa e preservar o presidente Lula de um desgaste político maior. Interlocutores do Planalto afirmam que o senador pediu para deixar o cargo, movimento que também era visto como desejável pelo presidente.
Desde a operação da Polícia Federal, deflagrada na última quinta-feira, aliados de Lula no Congresso e no Palácio do Planalto passaram a defender a saída de Wagner da liderança no Senado. Governistas apontaram o constrangimento causado pelo cumprimento de mandados de busca e apreensão, incluindo a divulgação de uma foto de US$ 49 mil em espécie encontrados em um endereço ligado ao senador em Brasília. Ao todo, considerando também valores em dólares e euros localizados em um endereço do parlamentar em Salvador, os agentes da PF recolheram o equivalente a R$ 482 mil, de acordo com a cotação atual.
Um integrante do governo que despacha no Planalto afirmou que a operação da PF tornou "praticamente insustentável" a permanência de Wagner no posto de confiança. Segundo ele, não haverá, por parte do governo federal, uma postura hostil contra o petista, aliado de longa data. Ainda assim, avalia ser necessário o afastamento para evitar prejuízo maior à imagem do governo e à campanha de Lula.
Aliados também afirmam que as declarações anteriores de Jaques Wagner, nas quais ele negava a possibilidade de virem à tona relações suas com o Banco Master, contribuíram para enfraquecê-lo no cargo. Até pessoas próximas ao senador consideraram desastrosa a entrevista concedida por ele no dia da operação da PF. À BandNews, Wagner disse que permaneceria na liderança do governo no Senado até decisão contrária de Lula. O parlamentar também afirmou que o presidente havia telefonado para prestar solidariedade após ele ser alvo da operação.
Entre os indícios de atuação em favor do Banco Master, a PF citou que o senador petista teria feito lobby no governo pela aprovação da compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB) e, no Senado, pela aprovação de outra proposta, conhecida como "emenda Master". A emenda, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos para investimentos em CDBs.
Os investigadores suspeitam da atuação de Wagner no Congresso em favor do Master em três momentos:
na apresentação de emenda a uma Medida Provisória, editada em 2022, sobre o aumento da margem consignável da remuneração disponível para trabalhadores regidos pela CLT, aposentados e pensionistas vinculados ao RGPS, com autorização para empréstimos e financiamentos por beneficiários do BPC e de outros programas federais de transferência de renda;
na tentativa de aprovação da PEC nº 65/2023, a chamada "Emenda Master", com repercussões sobre o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC);
na fiscalização da operação de potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Além disso, segundo a PF, Wagner teria recebido um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões em Salvador, além de regalias como o uso de aeronaves particulares e ingresso para camarote de um show em Los Angeles, ao custo de R$ 63,3 mil.
De acordo com a investigação, o ponto de conexão entre Wagner e a instituição financeira seria o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banco, que também foi alvo da PF e mantém boa relação com petistas na Bahia. Além das supostas benesses, uma empresa ligada ao núcleo familiar do senador recebeu transferência de R$ 3 milhões de uma financeira vinculada a Lima.
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