Poder e Governo
Michelle acena a Flávio e critica aliados do PL no Ceará por apoio a Ciro Gomes
Ex-primeira-dama afirma que PL Mulher ajudou a ampliar apoio ao pré-candidato à Presidência e acusa dirigentes cearenses de tentar retirar Priscila Costa da disputa pelo Senado
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou, nesta quarta-feira, um vídeo de 15 minutos no qual faz um aceno à pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu enteado, e eleva o tom contra integrantes do próprio partido no Ceará, em razão de articulações para apoiar o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo estadual.
Na gravação, Michelle faz um balanço de sua atuação à frente do PL Mulher e afirma que o trabalho de mobilização feminina desenvolvido desde 2023 tem contribuído para fortalecer o projeto eleitoral do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com quem ela não mantém relação de proximidade.
— Fico feliz quando vejo esse fruto chegando a todos, incluindo ao pré-candidato Flávio, que hoje é bem recebido e apoiado por nossas meninas do PL Mulher nos estados — afirmou.
O vídeo foi divulgado em meio ao embate interno no PL sobre a estratégia eleitoral no Ceará. Michelle saiu em defesa da vereadora Priscila Costa, presidente do PL Mulher no estado, e do senador Eduardo Girão (Novo-CE), pré-candidato ao governo cearense apoiado por setores do bolsonarismo.
Segundo a ex-primeira-dama, ela e Jair Bolsonaro defendiam que o partido lançasse Priscila ao Senado e apoiasse Girão na disputa pelo governo. Michelle afirmou que a definição teria sido tomada por ela, pelo ex-presidente e pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
— Essa candidatura foi muito bem definida por três pessoas. Meu marido, eu e o presidente Valdemar. Não foi sugestão. Foi preferência, foi decisão — disse.
Sem citar diretamente o deputado André Fernandes (PL-CE), Michelle acusou aliados locais de trabalharem para retirar Priscila da disputa e ceder a vaga dela em uma composição política envolvendo Ciro Gomes.
— Aproveitando-se da prisão do Jair, começaram a trabalhar para eliminar a Priscila da disputa, cedendo a vaga dela para garantir uma aliança com o Ciro Gomes — afirmou.
A ex-primeira-dama também questionou por que a vaga destinada a Priscila seria usada nas negociações, e não a reservada ao pai de André Fernandes, que também é cotado para concorrer ao Senado.
— Se o André queria agradar o Ciro Gomes, por que ele não ofereceu a vaga do seu próprio pai? Será que ele acha que retirar a vaga de uma mulher seria mais justo e fácil? — declarou.
Michelle ainda classificou como “traição” um eventual descumprimento da orientação de Bolsonaro para manter Priscila na disputa. Segundo ela, o ex-presidente teria enviado um recado à direção do partido e ao senador Rogério Marinho (PL-RN) defendendo a candidatura da aliada.
— Não honrar essa determinação do meu marido será um ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro. Venha de quem vier — afirmou.
As declarações retomam uma disputa que mobiliza o entorno do ex-presidente desde o ano passado. Em dezembro, Michelle se posicionou publicamente contra as negociações conduzidas para construir uma aliança entre o PL e Ciro Gomes no Ceará. À época, as tratativas tinham o aval de Bolsonaro e eram defendidas por lideranças locais como alternativa para ampliar as chances da oposição contra o governador Elmano de Freitas (PT).
Michelle, no entanto, argumentou que não poderia apoiar um político que, segundo ela, atacou reiteradamente Bolsonaro e ajudou a consolidar narrativas contra o ex-presidente. O posicionamento provocou forte reação dentro da própria família Bolsonaro.
O senador Flávio Bolsonaro chegou a classificar a postura da madrasta como “autoritária” e afirmou que ela havia atropelado uma decisão previamente autorizada pelo ex-presidente. Carlos e Eduardo Bolsonaro também saíram em defesa da articulação conduzida pelo diretório cearense.
Dias depois, porém, Flávio recuou e pediu desculpas a Michelle. O PL acabou suspendendo as negociações com Ciro, mas o debate voltou à tona nos últimos meses, diante das articulações para as eleições de 2026 no estado.
No vídeo divulgado nesta quarta-feira, Michelle também defendeu que o PL apoie Girão ao governo estadual, a quem classificou como o único representante das pautas conservadoras na disputa.
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