Poder e Governo
Marinho defende saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado
Ministro do Trabalho afirma que eventual afastamento permitiria ao senador se defender, mas separa o debate das investigações sobre o Banco Master
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defendeu nesta quarta-feira que Jaques Wagner (PT-BA) deixe a liderança do governo no Senado para ter melhores condições de se “defender”. Marinho afirmou que ele e integrantes do PT “gostam e respeitam” o senador, mas destacou que a discussão sobre a permanência no posto de confiança deve ser separada das investigações envolvendo o Banco Master.
Integrantes do governo demonstram preocupação com o possível efeito eleitoral das apurações sobre Wagner na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
— Tem momentos em que, às vezes, a pessoa tem que deixar sua posição para se defender, ter mais condições de atuar, do que ficar ali na posição que está exercendo. Estou falando de uma avaliação pessoal minha. De repente, se justifica deixar a liderança e o presidente nomear outra liderança — disse Marinho, durante a divulgação da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) Mensal, em Brasília.
Marinho disse ainda que prestou solidariedade a Wagner e relembrou investigações enfrentadas pelo senador em 2018, que, segundo ele, acabaram se revelando “ilações”.
— Eu liguei para o Jaques Wagner no dia posterior para prestar minha solidariedade, porque sei que ele já sofreu uma devastação nas suas contas, na sua situação, em 2018, muito parecida, e depois comprovou-se que não se passavam de ilações. Torço para que de fato não tenha absolutamente nada em relação ao Wagner, que é uma pessoa de quem a gente gosta e que respeita muito — afirmou.
O ministro também citou uma manifestação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre acusações de que Wagner teria atuado em favor do Banco Master no Congresso. Segundo Marinho, Haddad, por ter participado diretamente dos debates sobre o tema, é uma das pessoas mais qualificadas para tratar do assunto.
— Haddad disse que Jaques fez o contrário do que estão dizendo, ele não atuou em favor do Master no Congresso — declarou.
A declaração ocorre em meio à expectativa, no Palácio do Planalto, sobre uma possível saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado. O senador deve se reunir ainda nesta quarta-feira com o presidente Lula, no Palácio da Alvorada, em encontro que deve tratar de sua permanência no cargo.
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