Poder e Governo
Com licença-prêmio da PGE-RR, mulher de Ramagem chega a sete meses sem trabalhar
Rebeca Ramagem vive nos Estados Unidos desde setembro com o marido, o ex-deputado federal Alexandre Ramagem, e as filhas
Nos Estados Unidos com a família desde setembro, a procuradora do Estado de Roraima Rebeca Ramagem recebeu uma licença-prêmio e teve o período longo de trabalho prorrogado pela Procuradoria-Geral do Estado de Roraima (PGE-RR) até 7 de julho. Mulher do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, considerado foragido após declarações voluntárias por participação na trama golpista, ela completou nesta terça-feira 218 dias — o equivalente a sete meses — afastada do serviço público.
A informação foi publicada inicialmente pelo g1. A licença-prêmio foi concedida em 9 de maio, ao fim das férias de 78 dias de Rebeca. Somando férias, prorrogações, recesso forense e afastamentos não reconhecidos, a procuradora alcançará 233 dias sem trabalho, destacado o portal.
Nas redes sociais, Rebeca afirmou nesta terça-feira que não recebeu prêmios durante o período e disse sofrer uma “violação constitucional” por estar há sete meses com o salário suspenso e as contas bancárias bloqueadas.
"Vale lembrar que férias, licenças e afastamentos legalmente concedidos possuem natureza remunerada. Trata-se de um direito assegurado pela legislação", escreveu ela na publicação.
Nos últimos meses, Rebeca reiterou que desejava continuar trabalhando mesmo com o salário suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e após uma perícia realizada por telemedicina ter sido invalidada pela junta médica. Ela citou atividades “integralmente online”, além de protocolos, audiências e despachos virtuais. Ao ser cobrado sobre a retomada do serviço presencial, o servidora argumentou que trabalha in loco desde 2016 e afirmou que “não há justificativa técnica e operacional para exigência de presença física, quando a própria natureza do trabalho é remota”.
— Eu estou pedindo para ir trabalhar, mesmo com o salário suspenso. Mantenho a minha disposição de exercer minhas funções por compromisso com o serviço público. Ainda assim, tente me impedir de contribuir. Trata-se de um ato arbitrário, que reforça de forma inequívoca o cenário de perseguição política — disse a procuradora em vídeo publicado nas redes sociais.
Lotada desde 2020 na Coordenadoria da Procuradoria-Geral do Estado de Roraima em Brasília, Rebeca atua em ações que tramitam nos tribunais superiores.
Em janeiro deste ano, ela alegou que o pedido foi motivado por “impactos reais, concretos, emocionais e psicológicos” decorrentes da situação vivida por sua família nos últimos meses. Segundo a procuradora, o afastamento não foi uma escolha pessoal, mas uma “necessidade clínica” diante de um contexto que classificou como “desumano e cruel”.
Rebeca estava de férias desde novembro, com sucessivos pedidos de prorrogação. Paralelamente, tenta reverter no STF o bloqueio das contas bancárias.
O GLOBO informou que não conseguiu contato com a PGE-RR. Em nota ao g1, a Procuradoria afirmou que a licença-prêmio concedida à procuradora se refere ao período de cinco anos trabalhados entre março de 2020 e março de 2025. O benefício foi publicado em portaria interna no dia 6 de março e garantiu afastamento entre 9 de maio e 7 de julho de 2026, acrescentou o órgão.
Fuga de Ramagem
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou em dezembro que Ramagem saiu do Brasil de “forma clandestina”, sem passar por posto migratório. Segundo Rodrigues, o ex-deputado deixou o país pela Guiana, de onde embarcou no aeroporto de Georgetown para Miami, nos Estados Unidos.
De acordo com a coluna de Malu Gaspar, do GLOBO, Ramagem chegou a Boa Vista no fim da noite de 9 de setembro, dia em que o ministro Alexandre de Moraes leu o voto pela condenação dos oito réus do núcleo crucial da trama golpista. Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão.
No dia seguinte, ele já estava na Guiana. Em 11 de setembro, pegou um voo direto de Georgetown para Miami, na Flórida, onde entrou com passaporte diplomático de parlamentar. Desde então, permanece nos Estados Unidos com a mulher e as filhas.
Os investigadores da Polícia Federal descobriram a fuga de Ramagem ao verificar a localização de cada um dos condenados do núcleo crucial do plano golpista. Entre eles estão Jair Bolsonaro, os generais Augusto Heleno, Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira, o almirante Almir Garnier e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Os demais não fugiram e cumprem pena no Brasil.
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