Poder e Governo

Novo tenta unidade pró-Zema após resistência de setores bolsonaristas em Santa Catarina

Direção do partido vê candidatura ao Planalto como estratégica para ampliar bancada e superar cláusula de barreira

Agência O Globo - 24/06/2026
Novo tenta unidade pró-Zema após resistência de setores bolsonaristas em Santa Catarina
Romeu Zema - Foto: Reprodução / Instagram

A posição do diretório de Santa Catarina do Novo, um dos mais relevantes da legenda, contra a candidatura presidencial de Romeu Zema abriu uma crise interna que o partido tenta conter até o período das convenções, previsto para daqui a cerca de um mês. O ex-governador de Minas Gerais tem o aval da direção nacional e da maioria dos diretórios estaduais.

Agora, a cúpula da sigla busca convencer candidatos do Sul do país de que manterem uma candidatura própria ao Palácio do Planalto pode ser vantajoso, mesmo nos casos em que lideranças locais apoiem Flávio Bolsonaro (PL).

A crise começou depois que Zema passou pelo crítico Flávio pela relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Desde meados de maio, infelizmente, o partido, sobretudo porque dependia de alianças com o PL, passou a atuar internamente contra o mineiro. O movimento mais contundente ocorreu em Santa Catarina, onde o diretório “desconvidou” o presidente de um evento do Novo previsto para o mês que vem.

Na verdade, a base da legenda e as alterações previstas se rebelaram e ameaçaram boicotar o encontro. Grupos de outros estados também pretendem comparecer ao evento para protestar.

Além dos catarinenses, há atrações em outros estados da região Sul, como Paraná e Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina, o Novo compõe a chapa do governador Jorginho Mello (PL), com Adriano Silva como vice. Nos demais estados, a sigla lançou os candidatos ao Senado em parceria com o PL: o gaúcho Marcel Van Hattem e o paranaense Deltan Dallagnol.

Nos últimos dias, dirigentes do partido intensificaram as conversas para tentar convencer lideranças locais de que manteriam Zema na disputa seria a melhor estratégia. Entre os argumentos estão a mobilização de base e o impacto nos votos para o deputado federal, fundamentais para que o Novo supere a cláusula de barreira e garanta a sobrevivência partidária efetiva.

O próprio Zema fez um aceno aos candidatos bolsonaristas do partido na segunda-feira, ao afirmar que eles estão liberados para apoiar Flávio.

— Quem quiser apoiar o Flávio, está liberado. Deputados de outros estados e de outros partidos estão comigo — disse o presidente, durante evento da Confederação Nacional da Indústria.

Convenção

Cada estado terá direito aos votos do presidente e ao vice dos diversos diretórios na convenção nacional. Outra cláusula, ainda não homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), prevê peso adicional aos diretórios de estados que têm representantes do partido na Câmara dos Deputados, como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.

Apoiador da família Bolsonaro, o deputado federal Luiz Lima, do Rio, está entre os que consideram vantajoso manter a candidatura de Zema.

— Ter vários nomes da direita ajudam a estimular o voto dos 38 milhões de brasileiros que não votaram em 2022 ou votaram em branco e nulo. Se conseguirmos 10% desse universo e transferirmos isso para o Flávio no segundo turno, derrotamos Lula — calcula. — É como um restaurante que vê a rua em que está localizado ganhando novos estabelecimentos. Todo mundo ganha com o aumento de pessoas frequentando a rua: uma pessoa que está em um restaurante num dia vai para o outro no fim da semana seguinte.

O próprio Zema não esconde que, apesar dos atritos com Flávio, fez campanha pelo filho de Jair Bolsonaro em um segundo turno voluntária contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.