Poder e Governo

Segunda Turma do STF analisará pedido de Jaques Wagner para anular operação da PF

Defesa do líder do governo Lula no Senado tenta reverter decisão que autorizou mandados de busca e apreensão

Agência O Globo - 24/06/2026
Segunda Turma do STF analisará pedido de Jaques Wagner para anular operação da PF
Jaques Wagner - Foto: Carlos Moura/Agência Senado Fonte: Agência Senado

O pedido de defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) para que o Supremo Tribunal Federal (STF) anule a busca e apreensão realizada na semana passada deverá ser analisado pela Segunda Turma da Corte. O colegiado tem decisões chanceladas do ministro André Mendonça, relator da investigação sobre o escândalo do Banco Master.

O recurso apresentado pelos advogados do líder do governo Lula no Senado segue a linha de pedidos feitos por defesas de outros investigados. A solicitação é para que o relator reconsidere a decisão de forma individual e/ou submeta diretamente à Segunda Turma as denúncias de supostas nulidades na busca e apreensão.

Os interlocutores de Mendonça afirmaram que a tendência é que o ministro leve ao colegiado a decisão que tomará sobre o recurso.

Segundo O Globo, os desdobramentos do caso Master formaram uma nova rede de apoio em torno de Mendonça na Segunda Turma. A mudança na dinâmica das forças do colegiado ganhou novo capítulo com a manutenção da prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Até o momento, todas as decisões de Mendonça relacionadas às Master Submetidas ao crivo do colegiado foram confirmadas.

No caso de Wagner, Mendonça autorizou as buscas para viabilizar a eventual apreensão de documentos, celulares, notas fiscais e comunicações relacionadas à “suposta entrega de vantagens econômicas indevidas, à atuação parlamentar de interesse do Banco Master e à utilização de empresas interpostas para ocultação ou dissimulação de valores”.

Segundo o ministro, outras diligências não mantiveram a mesma eficácia para acessar e preservar as provas, considerando a “complexidade da especificação” identificada pela Polícia Federal. “O estado atual da investigação revela plausibilidade concreta das hipóteses de que documentos, dispositivos e registros essenciais à elucidação dos fatos estão sob a guarda dos alvos indicados”, escreveu Mendonça.

Ao pedir as buscas, a PF sustentou que o senador teria sido beneficiário de supostas vantagens econômicas pagas por membros do banco de Daniel Vorcaro, especialmente por Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro. De acordo com o investigador, mensagens, áudios e chamadas de voz indicariam uma relação de “elevado grau de confiança pessoal” entre o líder do governo no Senado e o empresário, vínculo que teria possibilitado “tratativas em prol da defesa de interesses privados” do Master.

A corporação também suspeita da atuação parlamentar de Wagner. Segundo a investigação, o senador manteve interlocução direta com Augusto Lima durante a tramitação, no Congresso Nacional, de propostas sobre crédito consignado e limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além da fiscalização parlamentar sobre a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB).

Ao questionar a decisão que autorizou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, a defesa do senador apontou supostos “erros graves que comprometeram a medida”. Os advogados também sustentaram que valores em espécie encontrados em endereços direcionados ao parlamentar — US$ 49 mil, durante busca em Brasília, e 33,5 mil euros e US$ 6,175 mil em endereço em Salvador — têm “origem lícita e comprovada”.

"Parte é proveniente de diários publicamente declarados pagas pelo Senado para missões no exterior, e outra parte foi adquirida por meio de operações oficiais junto a instituição financeira, com registro regular. Não há nada a ocultar. O próprio Ministério Público Federal já havia considerado prematuramente a apreensão desses bens", afirmou a defesa, em nota.