Poder e Governo
Trump compartilha artigo que aponta eleições brasileiras como ‘próximo teste’ de sua influência na América Latina
Publicação ocorre em meio ao desgaste na relação do republicano com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou nesta terça-feira, em seu perfil na rede social Truth Social, um artigo de opinião que analisa a influência do republicano em eleições na América Latina. A postagem ocorre em um contexto de desgaste na relação de Trump com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O artigo, intitulado “Trump conquista oito vitórias em sete anos na América Latina”, foi publicado pela plataforma de notícias Newsmax.
Ao citar o cenário brasileiro, o texto sustenta que a próxima eleição presidencial poderá se tornar “a disputa mais consequente do hemisfério” sob a influência política de Trump. A publicação menciona a disputa entre a família Bolsonaro e o presidente Lula.
Segundo o artigo, as eleições no Brasil estariam provocando um “intenso debate sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro e sobre se a disputa será conduzida de uma forma considerada livre e justa por todos os lados”.
“Caso o Brasil venha a se juntar à crescente lista de países que se movem para a direita, o mapa político da América Latina será drasticamente diferente do que era há apenas uma década”, escreveu o colunista John Gizzi no texto compartilhado por Trump.
O artigo também apresenta a eleição de um conservador na Colômbia como “mais do que uma reviravolta política em uma das nações mais problemáticas da América Latina”. Segundo a publicação, o país tornou-se o oitavo da região, em um período de sete anos, a substituir uma liderança de esquerda por um governo de centro-direita alinhado a Trump.
De acordo com o texto, alguns apoiadores passaram a enxergar Trump “como uma força política comparável a Simón Bolívar — líder latino-americano cujas ideias remodelaram a direção política de diversas nações das Américas”.
A publicação é encerrada com uma adaptação do slogan utilizado pelo republicano: “Trump is truly making the Americas great again” — em tradução livre, “Trump está realmente tornando as Américas grandes novamente”.
Acabou a química
A postagem ocorre em meio a declarações recentes de Trump críticas a Lula, em contraste com a “química excelente” que o americano havia afirmado existir entre ambos em setembro do ano passado.
Na quarta-feira passada, durante o G7, Trump disse que o Brasil é um “país politicamente difícil”. Dois dias depois, afirmou que Lula é uma pessoa “muito volátil” e que “não poderia se importar menos” com ele.
Em entrevista ao site americano Axios, Trump foi questionado sobre o que definiria um “grande líder” e respondeu:
— Eu observei o Brasil, o líder de lá, que conheço um pouco. Tivemos alguns contatos. Ele é uma pessoa muito volátil.
Em seguida, o presidente americano afirmou que “não pensa” em Lula:
— Para ser sincero, não penso nele. Realmente não penso nele. Não poderia me importar menos. Mas agora ele é um tipo diferente de pessoa. Muito volátil. Eu o vi fazendo um discurso. Foi um discurso muito volátil, e tudo bem.
No fim da declaração, Trump ponderou e defendeu que todos os líderes mundiais são “inteligentes”:
— Você não chega a esse nível sem ser inteligente. Sabe quem é muito inteligente? O presidente Xi, da China. Ele é um homem muito inteligente. Você não alcança esses níveis, governando um país, mesmo que seja um país pequeno, sem ter algo especial. Em alguns casos, as coisas não dão certo, mas é preciso ter algo especial. Não é uma tarefa fácil.
Lula reagiu à fala de Trump no G7 afirmando esperar que o americano “não se meta nas eleições” do Brasil.
— Ele tem direito de ter as preferências eleitorais dele. Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania, só espero isso. Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil. A única coisa que quero é o respeito pelo Brasil.
Lula também fez uma defesa da urna eletrônica e disse que, em seu próximo encontro com o presidente americano, levará uma urna.
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