Poder e Governo

Com dancinha de Flávio Bolsonaro e clima eleitoral, André do Prado se lança ao Senado pela direita em SP

Deputado estadual do PL tenta consolidar chapa com Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas no estado

Agência O Globo - 20/06/2026
Com dancinha de Flávio Bolsonaro e clima eleitoral, André do Prado se lança ao Senado pela direita em SP
André do Prado

Em evento com clima de campanha eleitoral, a direita bolsonarista lançou, neste sábado (20), a pré-candidatura do deputado estadual André do Prado (PL) ao Senado. A noite teve direito a “dança” do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e apelos para que a militância se mobilizasse, sobretudo nas redes sociais, em favor dos nomes da chapa reforçada por Flávio e pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo.

Realizado em Guarulhos, o ato teve forte conotação eleitoral, embora a Justiça Eleitoral só permitisse pedido explícito de votos a partir de agosto. No espaço do evento, o número 22, legenda do PL nas urnas, aparecia estampada nos telões.

Nas proximidades do local, ao longo da Rodovia Dutra e na rua de acesso ao auditório, havia totens com o nome e a foto de André do Prado. Também foram exibidos cartazes com imagens de outros pré-candidatos, como Guilherme Derrite (PP-SP), que deve disputar o Senado, e a primeira-dama da capital paulista, Regina Nunes (MDB), pré-candidata a uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Com o espaço interno lotado, um telão instalado no estacionamento transmitiu toda a cerimônia para quem ficou do lado de fora.

Nos discursos, lideranças políticas destacaram a importância de “eleger André e Flávio em outubro” e defenderam a união do “tempo da direita”. A escolha do presidente da Alesp para disputar a segunda vaga no Senado pelo estado —a primeira atribuída a Guilherme Derrite— provocou atritos entre bolsonaristas.

— Vocês não sabem da importância que é eleger André do Prado senador. Ele foi escolhido por Jair Bolsonaro para ser o nosso senador — afirmou Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL.

Eduardo Bolsonaro, indicado como suplente na chapa do Prado, invejou uma mensagem em vídeo ao aliado. Na gravação, disse estar “impedido de voltar ao Brasil” e afirmou contar com a eleição do irmão, Flávio, para retornar ao país. Eduardo também declarou que, “se estivesse no Brasil, votasse em Prado”.

Havia um acordo entre PL, Republicanos, PP e União Brasil para que Eduardo fosse um dos candidatos ao Senado por São Paulo. O plano, porém, foi alterado depois que ele passou a morar nos Estados Unidos, no ano passado. Com isso, Eduardo ficou responsável por indicar um nome para a vaga e, após articulação de Valdemar Costa Neto, André do Prado foi o escolhido.

Nesta semana, Eduardo foi condenado a quatro anos de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por coagir magistrados e avaliações articulares junto ao governo dos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro. Com a decisão, ele fica inelegível, o que poderia colocar em risco a chapa ao Senado. Ainda assim, Prado afirmou que o nome de Eduardo na suplência está suspenso e que o grupo espera reverter as previsões no Plenário do STF.

'Jogar como time'

Em um longo discurso no evento, que reuniu cerca de 10 mil pessoas, André do Prado relembrou sua trajetória na vida pública, destacou ações de gestão Tarcísio de Freitas, de quem se disse “braço direito”, e defendeu a necessidade de “jogar como tempo para vencer as eleições”. A fala foi interpretada como um recado ao bolsonarista que resistia à sua candidatura e defendia um nome mais ideológico. Entre os cotados estavam o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e o vice-prefeito da capital, coronel Mello Araújo (PL).

— Nós precisamos de cada um de vocês lá na ponta. Podemos contar com vocês? Eu vou trabalhar muito para que tudo aconteça — disse Prado. — Eu gostaria de dizer, para aquele cara que está exilado nos Estados Unidos, a minha gratidão por confiar a mim essa responsabilidade. A vaga era dele, era ele que estaria disputando, mas pode ter certeza de que eu vou honrar todas as pautas da direita, com o Eduardo nos orientando, e a gente vai estar junto.

Flávio Bolsonaro subiu ao palco dançando um jingle em ritmo de funk ao lado de André do Prado. Em seguida, afirmou que vai “honrar” o pai no “time” reunido no palanque, citou o irmão, que “deveria estar ali”, e agradeceu a Prado por ter dito que iria “honrar o Eduardo”.

— Era para Jair Messias Bolsonaro estar em meu lugar, e eu vou honrá-lo junto com esse tempo que está nesse palanque. Não foi uma decisão fácil, André. Era para o Eduardo estar aqui — afirmou o pré-candidato à Presidência da República.

Flávio concentrou sua fala em críticas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mencionou o endividamento da população, o escândalo de desvios indevidos em pensões e aposentadorias do INSS, associando o caso ao filho de Lula, e citou propostas de seu plano para a segurança pública, apresentadas nesta semana em São Paulo.

— Ladrão de celular tem que ficar preso. Hoje temos um presidente da República que passa a mão na cabeça desses bandidos, dizendo que eles roubaram para tomar uma cervejinha. Saio daqui com a missão de mostrar que o Brasil tem futuro. Não vamos mais nos acostumar a viver com medo. Nós não somos o programa Brasil Sem Medo? Porque quem tem que ter medo é vagabundo — disse.

Tarcísio de Freitas, por sua vez, fez acenos a Flávio Bolsonaro em seu discurso e agradeceu pelo apoio recebido de Jair Bolsonaro. Após a divulgação de mensagens entre Flávio e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no mês passado, governador e senador vinham se afastando. Neste sábado, porém, saíram a se reunir, posaram para fotos juntos e se abraçaram no palco.

— Eu vi o presidente enfrentar as maiores dificuldades, e ele entregou um Brasil crescendo. Ele se preocupava com as pessoas. E ele está presente hoje com a gente porque delegou ao seu filho Flávio a responsabilidade de dirigir um projeto de direita, transformador para o nosso Brasil. E, Flávio, você vai honrar esse projeto e vai contar com a gente — afirmou Tarcísio.

O governador também pediu engajamento digital da militância para “vencer a batalha das redes sociais” e, assim como outras lideranças, disse integrar “um tempo que vai mudar o Brasil”, ao lado de Flávio, Prado e Derrite.

— Quem aqui tem rede social? A gente tem que trabalhar intensamente lá. A gente tem que vencer a guerra das redes sociais, convencendo os colegas de trabalho, quem não está conectado, os vizinhos, as pessoas próximas, aquele primo distante. Eu quero saber se posso contar com vocês. Quero saber se nós somos um grande momento a partir de agora. Eu conto com vocês, porque esse tempo vai transformar o Brasil e o estado de São Paulo — declarou.