Poder e Governo

Trump chama Lula de “muito volátil” e diz que “não poderia se importar menos” com o brasileiro

Líderes se encontraram durante o G7, na França, após Lula afirmar que espera que o americano “não se meta” nas eleições do Brasil

Agência O Globo - 19/06/2026
Trump chama Lula de “muito volátil” e diz que “não poderia se importar menos” com o brasileiro
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Foto: © AP Photo / Julia Demaree Nikhinson

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é uma pessoa “muito volátil”. Em entrevista ao site americano Axios, divulgada nesta sexta-feira, Trump também declarou que “não poderia se importar menos” com o líder brasileiro.

Nesta semana, os dois se encontraram durante o G7, na França, ocasião em que Lula disse esperar que o americano “não se meta nas eleições” do Brasil.

— Eu observei o Brasil, o líder de lá, que conheço um pouco. Tivemos alguns contatos. Ele é uma pessoa muito volátil — afirmou Trump, ao ser questionado sobre o que definiria um “grande líder”.

Utilizada por Trump, a palavra em inglês “volatile” pode ser traduzida para o português como volátil, instável ou imprevisível.

Na sequência, o presidente americano afirmou que não costuma pensar em Lula.

— Para ser sincero, eu não penso nele. Realmente não penso nele. Não poderia me importar menos. Mas agora ele é um tipo diferente de pessoa. Muito volátil. Eu o vi fazendo um discurso. Foi um discurso muito volátil, e tudo bem — declarou.

Encontro no G7

Durante o G7, Trump disse que conversou com Lula na cúpula e classificou o Brasil como um “país politicamente difícil”. A declaração ocorreu após o americano ser questionado se tratou com o brasileiro sobre o novo tarifaço e a possível designação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.

A pergunta foi feita pela repórter Bianca Rothier, da TV Globo, durante entrevista à imprensa.

— Sim, eu passei bastante tempo com ele, na verdade — afirmou Trump, sem detalhar o teor da conversa. — Tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente.

O presidente americano também fez um paralelo entre os processos eleitorais no Brasil e nos Estados Unidos.

— Eles jogam duro, mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos — disse.

Ao ser questionado, em entrevista coletiva, sobre uma declaração de Trump a respeito da família Bolsonaro, Lula reagiu e cobrou respeito à soberania brasileira.

— Ele tem direito de ter as preferências eleitorais dele. Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania, só espero isso. Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil. A única coisa que eu quero é o respeito pelo Brasil — afirmou Lula.