Poder e Governo
Temer defende “polarização de ideias” e cooperação internacional contra facções
Em carta a candidatos ao Planalto, ex-presidente afirma que campanha eleitoral não deve ser conduzida com agressões verbais ou físicas
O ex-presidente Michel Temer (MDB) divulgou uma carta com sugestões para os candidatos ao Palácio do Planalto em 2026. Ao longo de cem páginas, o documento, intitulado “Estrada para o Futuro”, reúne opiniões do emedebista e contribuições de especialistas em áreas como saúde, economia e segurança pública.
No texto, Temer afirma que “não é possível levar a campanha eleitoral à base de agressões verbais e até físicas” e defende que a polarização “de ideias” é fundamental em uma democracia.
Na área da segurança pública, o ex-presidente propõe a recriação de um Ministério da Segurança Pública para enfrentar a criminalidade no país. Além da ampliação do policiamento contra roubos de celulares, relógios e alianças, Temer destaca a necessidade de preparação específica para o enfrentamento de organizações criminosas.
Ele também alerta para a infiltração de policiais em esquemas ilegais e defende a cooperação internacional no combate às facções.
“Vários países devem unir-se nesse combate. Não pode haver preconceito com a interação desses países. As informações também virão dessas interações. Ações conjuntas hão de ser realizadas”, afirma Temer.
No campo da educação, as propostas incluem a criação de milhões de vagas em tempo integral, tanto no ensino fundamental quanto no médio. Segundo Temer, os recursos deverão ser buscados “nos governos, no setor privado e até nas ofertas sociais que vários países ricos podem realizar”.
“Essa fórmula tem duas vertentes: uma, educacional: o aluno fica mais tempo na escola aprendendo mais; outra, social: o aluno se alimenta na escola. É claro que é necessário cuidar dos professores. Esta medida há de importar na formação adequada, mas também em nova e compensadora formatação salarial”, diz o ex-presidente.
Na área trabalhista, Temer afirma ser “preciso eliminar o lance eleitoreiro de jogar empregado contra empregadores”.
“Se o acordo não prevalecer, aplica-se o legislado. Trabalhadores e empregadores são as grandes forças produtivas nacionais. Deve-se somá-las, não dividi-las. Há uma realidade inafastável: quer-se combater o desemprego”, sustenta.
O documento também reúne artigos de especialistas e figuras públicas, entre eles Blairo Maggi, Gabriel Chalita, José Pastore, Mara Gabrilli, Moreira Franco e Nelson Jobim.
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