Poder e Governo
PF vai analisar celulares de Jaques Wagner em investigação sobre o Banco Master
Aparelhos foram apreendidos com o senador durante nova fase da Operação Compliance Zero
A Polícia Federal (PF) apreendeu dois celulares do senador Jaques Wagner (PT), líder do governo Lula no Senado, durante a nona fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Os investigadores buscam identificar o teor das conversas entre Wagner e o empresário baiano Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. Parte desses diálogos já havia sido localizada no celular de Lima, que chegou a ser preso no âmbito da operação, foi liberado e voltou a ser alvo de buscas nesta fase.
A PF também pretende verificar se havia contato direto entre Wagner e Vorcaro, possibilidade negada de forma veemente pelo senador.
Além dos dois aparelhos, agentes da PF apreenderam US$ 49 mil em espécie em um quarto de hotel em Brasília. Também foram encontrados US$ 6,1 mil e US$ 33,5 mil em um endereço em Salvador, ambos ligados ao parlamentar. Pela cotação atual, o valor total corresponde a cerca de R$ 479 mil.
Wagner afirmou que boa parte do dinheiro se refere a diárias pagas pelo Senado em razão de viagens ao exterior.
— Eu viajei para o exterior, mandei até levantar. E, de 2019 pra cá, eu recebi de diárias aproximadamente US$ 70 mil dólares, e outras vezes que eu fui viajar eu comprei via Banco do Brasil, onde eu tenho conta, dólares ou euro, para fazer a viagem. Então, eu não tenho nenhuma coisa para esconder — afirmou o senador, em entrevista à BandNews.
O parlamentar também disse estar “absolutamente tranquilo” em relação às investigações e negou qualquer irregularidade.
— Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master ou do Augusto Lima. Então, eu estou absolutamente à vontade — declarou.
Segundo dados divulgados no Portal da Transparência e consultados pelo GLOBO, Wagner recebeu US$ 66,8 mil em diárias para 27 viagens oficiais entre 2019 e 2026.
Os mandados de busca cumpridos em endereços ligados ao senador foram determinados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). No despacho, o ministro registrou que a PF apontou Wagner como “beneficiário central” de supostas “vantagens econômicas” pagas por Lima em troca de atuação no Congresso Nacional em favor da instituição financeira.
Entre os supostos benefícios citados pela investigação estão pagamentos relacionados a um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, uso de aeronaves particulares e ingressos para um show internacional.
Em nota, a defesa de Augusto Lima classificou as ações da PF como “desnecessárias”, afirmando que ele já estaria à disposição das autoridades “há seis meses”.
“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos. Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”, diz o texto.
Jaques Wagner ocupa a liderança do governo no Senado desde o início do terceiro mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. Em gestões petistas anteriores, exerceu cargos de destaque no governo federal, como os ministérios da Casa Civil, da Defesa e das Relações Institucionais.
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