Poder e Governo

Operação da PF que mirou Jaques Wagner expõe elos do Banco Master com o PT da Bahia

Governistas reconhecem desgaste do episódio e temem reflexos na campanha de reeleição de Lula

Agência O Globo - 19/06/2026
Operação da PF que mirou Jaques Wagner expõe elos do Banco Master com o PT da Bahia
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) - Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A operação da Polícia Federal realizada na quinta-feira, que teve como um dos alvos o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), expôs as ligações entre o escândalo do Banco Master e o PT da Bahia.

Wagner foi alvo de investigação que apura se ele teria atuado no Congresso em favor de interesses do Banco Master em troca de supostas “vantagens indevidas”. A PF suspeita da atuação do senador em projetos de interesse do banqueiro Daniel Vorcaro, como a chamada “emenda Master”, em troca de benefícios que incluiriam um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,4 milhões, em Salvador, e repasses a uma empresa ligada à sua nora. O inquérito também identificou o pagamento de ingressos para um show no exterior.

Aliados do governo reconhecem o desgaste político do episódio e temem o impacto que o caso possa ter na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora um grupo defenda a saída de Wagner da liderança do governo, o próprio senador indicou, em entrevista, que recebeu apoio de Lula e deverá permanecer no cargo.

Na oposição, a operação passou a ser usada como instrumento de ataque ao PT e a seus aliados. A estratégia busca deslocar o foco do escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula na eleição, que vinha sendo criticado por ter pedido dinheiro a Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Oposicionistas tentam associar o desgaste do caso Master ao PT, sustentando que uma das origens da suposta fraude bancária estaria ligada às gestões do partido na Bahia, quando Rui Costa era governador.

A PF apontou uma relação próxima entre Wagner e Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. A ligação entre o PT da Bahia e o empresário remonta ao governo Rui Costa, período em que foi privatizada a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo. A Ebal foi comprada por Lima, que também arrematou um cartão de crédito consignado voltado a servidores e aposentados. O cartão, posteriormente chamado Credcesta, teve sua operação expandida para todo o país em parceria com o Master, banco do qual o empresário se desligou em 2023.

Um integrante do governo que defendia a saída de Wagner da liderança afirma que uma das preocupações de aliados, agora, é a possibilidade de o ex-governador Rui Costa também se tornar alvo de operação da Polícia Federal.

Segundo a corporação, mensagens, áudios e chamadas de voz demonstraram uma relação de “elevado grau de confiança pessoal” entre Wagner e Augusto Lima. Em um dos diálogos interceptados pelos investigadores, o empresário disse ao senador: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”.

A PF investiga a atuação parlamentar de Wagner em temas de interesse do Master, como a tramitação de propostas sobre crédito consignado, o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a fiscalização parlamentar da compra do Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). A corporação apontou uma correlação entre essas iniciativas e supostas “vantagens econômicas indevidamente” recebidas pelo senador.

As suspeitas se concentram em três momentos: a apresentação de uma emenda a uma medida provisória, editada em 2022, sobre o aumento da margem consignável da remuneração disponível para trabalhadores regidos pela CLT, aposentados e pensionistas vinculados ao RGPS, com autorização para empréstimos e financiamentos por beneficiários do BPC e de outros programas federais de transferência de renda; a tentativa de aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com repercussão sobre o limite de cobertura do FGC; e a fiscalização da operação de possível aquisição do Master pelo BRB.