Poder e Governo
Banco Master: investigação atinge direita, Centrão e governo Lula
Apuração da PF sobre o banco de Daniel Vorcaro já levou a buscas contra Ciro Nogueira, Cláudio Castro e Jaques Wagner
A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira pela Polícia Federal (PF), ampliou o alcance político do caso Banco Master ao atingir o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado.
A operação reforça a avaliação de que as investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro podem alcançar figuras influentes da esquerda, do Centrão e da direita.
Antes de Wagner, já haviam sido alvo de buscas autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Em comum, todos são suspeitos de manter relações que, segundo a PF, podem ter beneficiado interesses do Banco Master junto ao poder público. Nenhum deles foi denunciado, e todos negam irregularidades.
Ciro tornou-se alvo da quinta fase da operação, em maio. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o presidente nacional do PP teria recebido pagamentos mensais de Daniel Vorcaro que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além de outras vantagens, como viagens, hospedagens, uso de imóveis e voos privados. A investigação apura se esses benefícios teriam sido concedidos em troca de atuação política favorável aos interesses do banco.
Entre os elementos citados pelos investigadores está uma proposta legislativa apresentada no Senado que, de acordo com a PF, teria sido elaborada por assessores ligados ao Master e favoreceria a instituição financeira. A corporação também apura suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e tráfico de influência.
A defesa do senador nega qualquer irregularidade e afirma que não houve atuação indevida em favor de Vorcaro.
No caso de Cláudio Castro, a investigação se concentra principalmente em operações envolvendo recursos públicos estaduais e investimentos ligados ao universo financeiro que orbitava o Master. A PF apura possíveis irregularidades em operações envolvendo o Rioprevidência e estruturas financeiras associadas ao banco, além da relação de agentes públicos do estado com pessoas ligadas ao grupo de Vorcaro.
As suspeitas analisadas incluem eventual favorecimento institucional e operações consideradas atípicas pelos investigadores. Cláudio Castro nega ter cometido qualquer irregularidade e sustenta que os atos de sua gestão obedeceram aos parâmetros legais.
A ofensiva desta quinta-feira levou o caso, pela primeira vez, ao núcleo político mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A PF cumpriu mandados de busca em endereços ligados ao senador Jaques Wagner e ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.
Segundo a representação policial acolhida por Mendonça, os investigadores apuram uma possível relação ilícita entre executivos do Master e Wagner.
A suspeita da PF é de que o senador e pessoas de sua família possam ter recebido vantagens indevidas, incluindo um apartamento em Salvador e repasses financeiros milionários. Também são investigadas suspeitas de que Wagner tenha atuado em temas legislativos de interesse do banco, entre eles discussões relacionadas a empréstimos consignados e regras do Fundo Garantidor de Créditos.
Wagner nega ter recebido dinheiro ou qualquer benefício do Master. O senador afirmou que os valores apreendidos pela PF correspondem a recursos lícitos e disse ter encontrado Vorcaro apenas duas vezes. O PT divulgou nota manifestando confiança no parlamentar.
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