Poder e Governo

Departamento de Estado dos EUA defende Eduardo Bolsonaro e cita “perseguição”

Condenado a 4 anos e 2 meses, filho de Bolsonaro foi acusado de articular sanções contra ministros do STF junto ao governo americano

Agência O Globo - 18/06/2026
Departamento de Estado dos EUA defende Eduardo Bolsonaro e cita “perseguição”
Eduardo Bolsonaro - Foto: Reprodução / Instagram

O Departamento de Estado dos Estados Unidos saiu em defesa do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) após a notificação dele pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo. Sentenciado a 4 anos e 2 meses de prisão, Bolsonaro foi condenado por avaliações conjuntas junto ao governo americano contra magistrados da Corte.

Em nota atribuída a um porta-voz do Departamento de Estado, o governo americano afirmou que a sentença representa mais um episódio de um “padrão de perseguição e guerra jurídica (lawfare) por parte dos tribunais brasileiros contra sua oposição política”. “Os debates políticos devem ser resolvidos por eleições democráticas, e não por condenações”, diz a mensagem.

A manifestação foi publicada inicialmente pela Reuters e confirmada pelo jornal O Globo. O Departamento de Estado é comandado pelo republicano Marco Rubio, que, no início do mês, excluiu o Brasil de uma lista de aliados dos Estados Unidos na América Latina.

Durante a sessão do Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, Rubio afirmou que a região é formada majoritariamente por aliados e líderes próximos aos Estados Unidos, mas fez ressalvas em alguns países, entre eles o Brasil.

— É incrível que, tirando Nicarágua, Cuba, Venezuela, que ainda enfrente alguns desafios, e, claro, Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, até certo ponto, o atual governo da Colômbia também — pelo menos o presidente tem sido problemático —, é uma região cheia de aliados e líderes amigáveis ​​aos Estados Unidos — declarou Rubio.

A denúncia de Eduardo Bolsonaro também foi mencionada pelo presidente Donald Trump durante a Cúpula do G7, na quarta-feira. O americano disse ter ouvido que “prenderam o Bolsonaro Jr.”. No entanto, acabou confundindo o ex-deputado federal com o irmão dele, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao afirmar que ele estaria “indo bem nas pesquisas”. Flávio é pré-candidato ao PL à Presidência da República.

— Tem sido perturbador. Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a uma carga hoje. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele (Lula) e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque deu uma declaração no Texas. Prenderam ele, ou querem prendê-lo — afirmou Trump.

Momentos depois, Trump disse que o Brasil é um “país politicamente” ao ser questionado se havia conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a designação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

— Sim, eu passei bastante tempo com ele (Lula), na verdade — disse Trump, sem detalhar o teor da conversa. — Tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente.