Poder e Governo
Medidas restritivas contra Jaques Wagner incluem proibição de contatos e negócios
Determinações do STF também atingem Eduardo Martins e Bonnie Bonilha; casal teve passaportes suspensos
Um endereço ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal nesta quinta-feira, no âmbito da nona fase da Operação Compliance Zero . Por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o parlamentar deverá cumprir uma série de medidas restritivas relacionadas às investigações sobre o Banco Master.
Segundo a purificação, Wagner é apontado como suspeito de ter recebido benefícios ligados ao banco, entre eles um apartamento que teria sido adquirido por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. O imóvel, avaliado em mais de R$ 2 milhões, fica no edifício Poème Horto, em Salvador.
Eduardo Sodré Martins, contratado de Jaques Wagner e secretário de Meio Ambiente da Bahia, também aparece nas investigações. De acordo com a pesquisadora, Bonnie Bonilha teria recebido R$ 11 milhões do Banco Master por meio de um contrato de consultoria firmado com uma de suas empresas. Eduardo, por sua vez, teria exercido “papel ativo” na cobrança de pendências de pagamentos previstos por operadores financeiros do banco.
Entre as medidas impostas, o senador está proibido de manter contato com “gerentes, administradores, corretores, funcionários, engenheiros, arquitetos ou quaisquer colaboradores” das empresas MD BA Parque Florestal Construções e Grupo Moura Dubeux. As duas companhias são associadas ao prédio onde fica o apartamento investigado.
Jaques Wagner também não poderá exercer atividades de “gestão, administração, representação, consultoria, contratação, intermediação, negociação” com pessoas jurídicas mencionadas na investigação.
As restrições aplicadas ao petista também valem para Eduardo Martins e Bonnie Bonilha. Diferentemente do senador, porém, o casal teve os passaportes suspensos e está impedido de deixar o território nacional. As autoridades não pediram que a mesma medida fosse aplicada a Wagner.
Entenda a operação
A Polícia Federal cumpriu mandatos nesta quinta-feira na nona fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. A investigação apura suspeitas envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas à instituição.
O nome de Jaques Wagner já havia sido citado no contexto do caso após a revelação de que uma empresa ligada a Bonnie Bonilha, a BK Financeira, recebeu ao menos R$ 11 milhões do banco. A defesa da firma nega irregularidades e afirma que os serviços foram prestados.
Em nota, Wagner declarou que “não tem conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa relacionada”.
Antes de ser alvo da operação, o senador afirmou ter se reunido duas vezes com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Wagner disse ainda que considerava “ótimo” o caso Vorcaro firmasse acordo de delação premiada, tentativa que acabou rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.
O senador vinha classificando o escândalo do Banco Master como uma “trambicagem”, negando envolvimento com as irregularidades investigadas e criticando reportagens que relacionavam seu nome ao caso. Em entrevistas e discursos no Senado, o petista afirmou estar “tranquilo e calmo”, disse que não havia investigações sobre sua conduta e atribuiu o esquema a falhas de fiscalização do Banco Central.
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