Poder e Governo
Aliados de Lula defendem saída de Jaques Wagner da liderança no Senado
Avaliação no Congresso e no Planalto é que a permanência do senador no cargo amplia o desgaste do governo e dá munição à oposição
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso e no Palácio do Planalto defendem que o senador Jaques Wagner (PT-BA) deixe a liderança do governo no Senado após a operação da Polícia Federal que investiga se ele atuou em benefício do Banco Master em troca de “vantagens indevidas”.
Nos bastidores, os governantes admitem o “constrangimento” provocado pelo cumprimento de mandatos de busca e apreensão nesta manhã. A situação ganhou maior repercussão após a divulgação de uma imagem de US$ 49 mil em espécie , encontrada em um endereço ligado ao Wagner em Brasília.
Um membro do governo que despacha no Planalto avalia que a operação da PF torna “praticamente insustentável” a permanência de Wagner em um posto de confiança. Segundo ele, não existe, por parte do governo federal, uma postura hostil contra o petista, considerado um aliado histórico de Lula. Ainda assim, a avaliação é que o afastamento seria necessário para evitar danos maiores à imagem do governo e à campanha de reeleição do presidente.
A expectativa, de acordo com esse interlocutor, é que o próprio senador peça para deixar a liderança. O tom é reforçado pelos aliados de Lula no Congresso. Para outro governador, enquanto Wagner permanecesse sem carga, a oposição terá munição para atacar o presidente e o governo como um todo.
A decisão, no entanto, caberá ao próprio Lula. O presidente e Wagner são aliados de longos dados e mantêm a relação política próxima.
Um terceiro aliado do governo afirma que a saída de Wagner ajudaria a proteger a estratégia do PT de associar o escândalo do Banco Master à direita e ao centrão. A avaliação é que o partido precisa sustentar a narrativa de que, de um lado, há adversários com ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro e, de outro, está o caso envolvendo Wagner.
Apesar da pressão reservada, aliados de Jaques Wagner divulgaram publicamente mensagens de apoio ao parlamentar. Entre eles está o presidente nacional do PT, Edinho Silva. A bancada do PT no Senado também divulgou nota em que manifesta “plena confiança” na trajetória do senador, defende o apoio às investigações envolvidas no Banco Master e cobra “respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa”.
No documento, assinado pela bancada, os senadores afirmam ter confirmação de que Wagner “prestará todos os esclarecimentos necessários” e “demonstrará, ao longo das apurações, a correção de sua conduta diante dos fatos investigados”.
Integrantes do governo e da base aliada no Congresso admitem que o episódio abre um novo flanco de desgaste, que deverá ser explorado pela oposição. A orientação do Planalto, porém, fortalecerá a narrativa de independência da Polícia Federal e destacará que as investigações não pouparão aliados do presidente.
Segundo a PF, Jaques Wagner teria recebido “vantagens indevidas” para favorecer interesses ligados ao Banco Master, ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao seu ex-sócio. O senador ainda não se manifestou sobre a operação.
Para um membro do governo, uma fotografia divulgada pela Polícia Federal com os US$ 49 mil — o equivalente a cerca de R$ 253 mil na cotação atual — reforça o constrangimento político, por se tratar de uma fácil imagem de compreensão para a opinião pública.
Além do dinheiro, os agentes também encontraram uma coleção de relógios. O mandato foi cumprido em um hotel onde o senador mora, localizado nas proximidades do Palácio da Alvorada.
Aliados ponderam, no entanto, que o suposto envolvimento de Wagner com Vorcaro é mais difícil de ser compreendido pela população do que a relação atribuída a Flávio Bolsonaro, planejada como principal adversário de Lula nas eleições. Na leitura de auxiliares do presidente, o áudio em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre o pai revela uma relação considerada mais “nítida” e “incontestável” com o banqueiro.
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