Poder e Governo
Lia Gomes pressiona Cid a tentar reeleição para fortalecer chapa de Elmano contra Ciro
Senador nega intenção de disputar o pleito e defende o deputado federal Júnior Mano como nome do PSB ao Senado
A deputada estadual Lia Gomes (PSB) defendeu, na quarta-feira, a candidatura à reeleição do irmão, o senador Cid Gomes (PSB). O movimento, segundo ela, busca fortalecer a chapa liderada pelo governador Elmano de Freitas (PT) contra a oposição, encabeçada pelo ex-ministro Ciro Gomes (PSDB). Cid, por sua vez, negou a intenção de disputar o pleito e afirma defender o deputado federal Júnior Mano como nome do PSB ao Senado.
— O Cid é um tipo de político que não puxa muito a luz para ele. Acho que, até por isso, ele consegue juntar tantas pessoas. Ele se preocupa muito em fortalecer o grupo — afirmou Lia, ao ser questionada por jornalistas.
Nos bastidores, correligionários e membros do governo Elmano pressionou Cid a disputar uma cadeira no Senado. O senador, no entanto, sustenta que o compromisso com Júnior Mano já foi reforçar e destacar o volume de apoios conquistados pelo deputado entre prefeitos. A estimativa é que 40 chefes do Executivo municipal já se comprometeram a atuar na campanha do parlamentar.
Ao GLOBO, Júnior Mano reafirmou que conta com o apoio de Cid e disse não ter sido convocado por Elmano para tratar do tema até o momento.
“O senador Cid Gomes mantém o compromisso com a nossa pré-candidatura ao Senado. Inclusive, estive com ele na última semana em agendas pelo interior do estado. Esse apoio do Cid é preponderante, sem dúvida. Mas, além dele, ofertas de prefeitos também apoiam e se sentem representados por essa minha pré-candidatura. Como tenho aqui, esse é um projeto coletivo. Acredito e faço política dialogando”, afirmou Júnior Mano, em nota.
Há duas semanas, o deputado estadual Romeu Aldigueri (PSB), presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, afirmou ao jornal O Povo que “há uma solicitação da bancada estadual, da maioria absoluta do partido, pelo direito de Cid ser candidato à reeleição”.
Racha política
Cid e Ciro estão afastados há cerca de três anos, desde que divergiram sobre quem deveria ser o candidato do PDT ao governo do Ceará em 2022. Cid defendeu a continuidade da então governadora Izolda Cela, que se casou com o cargo após a saída de Camilo Santana. Ciro, por outro lado, bancou a candidatura do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio.
O objetivo de Ciro era garantir um palanque no estado para sua campanha à Presidência, o que poderia enfrentar resistências do então governador, em meio ao apoio a Lula. O PT, que defendeu o palanque de Izolda, rompeu com o PDT após a escolha de Roberto Cláudio e lançou Elmano, eleito com 54,02% dos votos, contra 31,72% de Wagner e 14,14% do ex-prefeito de Fortaleza.
Um ano depois, em novembro de 2023, Cid deixou o PDT e migrou para o PSB ao lado de Lia, isolando ainda mais Ciro. Com eles, também deixaram a legenda cerca de 50 prefeitos de municípios cearenses, além de deputados estaduais e federais.
Chapa indefinida
O governo Elmano é bem avaliado pela população, mas a ascensão do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) nas pesquisas de intenção de voto ao governo reforçou a necessidade de fortalecimento da chapa majoritária. Tanto o ex-governador Camilo Santana (PT) quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendem que a composição privilegie nomes capazes de ampliar a base governamental no estado.
Além dos nomes do PSB, também são cotados pelo PT o deputado federal Eunício Oliveira (MDB) e o ex-senador Chiquinho Feitosa (Republicanos). Do lado da oposição, o ex-deputado federal Capitão Wagner (União) e o deputado estadual André Fernandes (PL) são os favoritos para integrar a chapa de Ciro.
Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada na semana passada mostra favoritismo de Cid na disputa por uma cadeira no Senado. Em um cenário com Eunício como segundo nome da chapa petista, o irmão de Ciro alcança 49% dos desejos de voto, enquanto Wagner aparece em seguida, com 42%.
Nos outros dois cenários em que Júnior Mano é testado, o deputado varia entre 12% e 15%, atrás de Wagner, que aparece com 43% a 45%, e de Eunício, com 30% a 32%.
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