Poder e Governo

Alcolumbre critica operação da PF contra Jaques Wagner e fala em “execração pública”

Líder do governo no Senado foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira

Agência O Globo - 18/06/2026
Alcolumbre critica operação da PF contra Jaques Wagner e fala em “execração pública”
Jaques Wagner - Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), criticou a operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo na Casa. O chefe do Legislativo afirmou que ninguém pode ser condenado antes do fim da tramitação do processo e classificou o episódio como “execração pública”.

— Muitas autoridades já foram vítimas dessa execração pública e, com o passar do tempo, a maioria delas provou, no decorrer das investigações, a sua inocência. Temos um problema gravíssimo no Brasil. Está todo mundo culpado até que se prove o contrário. Isso é muito triste, todo mundo é culpado antes de ser julgado — disse.

A Polícia Federal apontou que Jaques Wagner foi o “beneficiário central” de “vantagens econômicas” pagas por integrantes do Banco Master. Entre os supostos benefícios estão o pagamento de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, o uso de aeronaves ligadas ao Master e o ingresso para o camarote de um show internacional em Los Angeles, que teria custado R$ 63,3 mil.

Líder do governo no Senado, Wagner sempre negou ter qualquer relação com as “falcatruas” do Banco Master — como ele próprio chamou, em fevereiro deste ano, o esquema de fraudes financeiras envolvendo a instituição. Nesta quinta-feira, ele foi alvo de um mandado de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero.

Mais cedo, Alcolumbre chegou ao Congresso acompanhado do líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), e resistiu a comentar a operação contra Wagner.

— Eu vou falar sobre a sessão do Congresso. Eu vou falar sobre a sessão do Congresso e responder e falar sobre o que eu quiser falar.

Logo depois, o presidente do Senado fez um pronunciamento em que anunciou o cancelamento da sessão do Congresso marcada inicialmente para esta quinta-feira e comentou a situação do senador petista.

Alcolumbre disse prestar “apoio” e “solidariedade integral” ao colega senador e declarou confiar que Wagner vai comprovar a inocência.

— Quero falar do episódio hoje, de uma operação em um senador colega nosso, que todos nós respeitamos, que todos nós admiramos a trajetória política para chegar até aqui no Senado e que teve a legitimidade do voto popular para estar no Senado. E hoje numa missão muito importante como líder do governo no Senado. Precisamos entender que ninguém nesse país pode ser condenado antes do trânsito em julgado de um processo — afirmou o presidente do Senado.

Alcolumbre também criticou a forma como ocorrem as apurações envolvendo o Banco Master.

— Os advogados de brasileiros hoje, em todas as operações, não conseguem ter acesso às investigações e procedimentos. Estou dando um testemunho de quem conversa com vários advogados todos os dias, e uma queixa muito grande deles é não ter condições de acessar autos do processo.

O presidente do Senado não foi alvo de operações da PF relacionadas ao caso. No entanto, em meio ao cerco contra o Banco Master — que foi alvo de liquidação extrajudicial e teve seu dono preso —, Alcolumbre tem um aliado questionado no Amapá por levar o fundo de pensão do estado a alocar R$ 400 milhões em papéis da instituição.

Os aportes da Amapá Previdência (Amprev), realizados em julho de 2024, foram conduzidos pelo presidente do fundo, Jocildo Silva Lemos, que afirma ter assumido o comando da entidade por “convite” de Alcolumbre. O senador nega qualquer envolvimento com o escândalo financeiro.

Ao comentar o caso de Jaques Wagner, Alcolumbre afirmou que não comemora operações contra integrantes do PT nem contra integrantes do PL, partido do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência.

— Talvez esteja muito cômodo hoje, quando uma operação da Justiça se dá em cima de um senador ou deputado do PT, os do PL comemorarem. E vocês sabem do que estou falando. Também esteja muito cômodo quando há operação contra senadores ou deputados do PL, os outros comemorarem. Não comemoro nada contra a história de ninguém antes do trânsito em julgado do processo nesse país.