Poder e Governo
PF apura se Jaques Wagner recebeu apartamento de luxo ligado ao caso Master
Investigação aponta suspeita de que imóvel em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, teria sido viabilizado por ex-sócio de Daniel Vorcaro
A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF), apura a suspeita de que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado, teria recebido um apartamento de luxo em Salvador como forma de propina.
Segundo a investigação, a aquisição do imóvel teria sido viabilizada pelo banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Lima também foi alvo de mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira.
Conforme antecipado pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, a PF aponta que o imóvel seria uma das unidades do empreendimento Poéme Horto, localizado em área nobre da capital baiana, com previsão de entrega no segundo semestre deste ano.
A polícia afirma que, em novembro de 2024, Jaques Wagner encaminhou a Lima o contato do gerente da Moura Dubeux, construtora responsável pela obra, acompanhado da mensagem: “a unidade é a 1702, e o preço é 2,45 mi”. No mesmo dia, o banqueiro teria enviado as informações a Valério Marega, apontado como operador financeiro ligado ao Banco Master. As tratativas, segundo a PF, teriam continuado mesmo após a primeira fase da Compliance Zero.
Quatro suítes e duas unidades por andar
Os apartamentos do empreendimento citado possuem 173,18 m² ou 203,91 m², todos com quatro suítes e cinco banheiros. São duas unidades por andar, distribuídas entre 36 pavimentos, com hall exclusivo.
As unidades de 203,91 m² até o 17º andar contam com três vagas de garagem e depósito privativo. A partir do 18º andar, o número de vagas sobe para quatro. Já os apartamentos de 173,18 m² possuem três vagas, independentemente do pavimento.
Anúncios disponíveis na internet descrevem o empreendimento como dotado de infraestrutura completa de lazer, incluindo piscina de raia semiolímpica, academia, salão de jogos, quadra de tênis e espaços para pets.
O bairro Horto Florestal é apresentado nas peças de venda como “sinônimo de viver rodeado de verde e tranquilidade”. O empreendimento também é divulgado como sustentável, com uso de economizadores de energia, aproveitamento de águas pluviais e infraestrutura compatível com carregadores para carros elétricos.
Ao todo, são 72 unidades e 235 vagas de garagem. O projeto ainda prevê SPA aquecido, espaço para massagem e guarita de segurança blindada.
Entenda a operação
Um endereço ligado a Jaques Wagner foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal nesta quinta-feira. Os agentes cumprem medidas da nona fase da Operação Compliance Zero, por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
O nome do senador já havia surgido no contexto do caso Master após a revelação de que sua nora recebeu ao menos R$ 11 milhões do banco. O valor foi pago à empresa BK Financeira, pertencente a ela.
Em nota, Wagner afirmou que “não tem conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”. A empresa, por sua vez, nega irregularidades e sustenta que prestou serviços.
Saiba mais
Antes de ser alvo da operação, o senador afirmou que esteve duas vezes com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Wagner vinha classificando o escândalo envolvendo a instituição como uma “trambicagem”, negando participação nas irregularidades investigadas e criticando reportagens que relacionavam seu nome ao caso.
Em entrevistas e discursos no Senado, o petista declarou estar “tranquilo e calmo”, disse que não havia investigação sobre sua conduta e atribuiu o esquema a falhas de fiscalização do Banco Central.
Pedido de dinheiro a Vorcaro
Outro desdobramento do escândalo do Banco Master envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A crise ganhou força após o Intercept revelar áudios em que ele pede apoio financeiro a Daniel Vorcaro para ajudar a concluir o filme “Dark Horse”.
Na gravação, o senador demonstra preocupação com atrasos em pagamentos ligados ao longa e menciona o risco de não conseguir honrar compromissos assumidos com integrantes da equipe, incluindo o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.
Desde então, reportagens também passaram a apontar participação formal do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro na estrutura financeira do filme, além de mensagens que discutiam formas de envio de recursos aos Estados Unidos.
A Polícia Federal investiga se parte do dinheiro ligado ao longa poderia ter sido usada para custear a permanência de Eduardo no exterior.
Na tentativa de conter o desgaste, Flávio Bolsonaro passou a defender publicamente a instalação de uma CPMI para investigar o Banco Master e anunciou que solicitou uma prestação de contas detalhada da produtora e do fundo ligado ao investimento no filme.
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