Poder e Governo
PT defende Jaques Wagner após ação da PF no caso Banco Master
Polícia Federal aponta senador como “beneficiário central” de vantagens econômicas pagas por integrantes do banco
O Partido dos Trabalhadores (PT) saiu em defesa do senador Jaques Wagner (BA), alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira no âmbito das investigações sobre o Banco Master. Segundo a corporação, o parlamentar teria sido o “beneficiário central” de “vantagens econômicas” pagas por integrantes da instituição financeira.
Presidente nacional do PT, Edinho Silva afirmou confiar que o correligionário “esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”.
“O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade. Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados”, declarou Edinho, em nota.
O diretório do PT na Bahia também divulgou manifestação em apoio ao senador e reafirmou “total e plena confiança” em sua conduta.
“Ao longo de toda sua vida política, Wagner foi acusado injustamente inúmeras vezes e jamais teve absolutamente nada que o desabonasse. O andar das investigações vai mais uma vez provar que Wagner nunca se envolveu com qualquer ato ou ação fora da legalidade”, diz a nota do PT baiano.
A Polícia Federal investiga a atuação parlamentar de Jaques Wagner em temas de interesse do Banco Master. No pedido de buscas em endereços ligados ao senador, a corporação afirmou que ele manteve interlocução direta com o empresário Augusto Lima durante a tramitação, no Congresso Nacional, de propostas relacionadas ao crédito consignado e ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de tratativas envolvendo a fiscalização parlamentar sobre a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Suspeitas investigadas
Segundo os investigadores, as suspeitas sobre a atuação de Wagner se concentram em três momentos.
O primeiro envolve a apresentação de emenda a uma Medida Provisória editada em 2022, que tratava do aumento da margem consignável da remuneração disponível para trabalhadores regidos pela CLT, aposentados e pensionistas vinculados ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), além de autorizar empréstimos e financiamentos para beneficiários do BPC e de outros programas federais de transferência de renda.
O segundo diz respeito à tentativa de aprovação da PEC nº 65/2023, com possíveis repercussões sobre o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.
O terceiro está relacionado à fiscalização da operação de potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília.
A PF apontou ainda que o senador teria recebido vantagens econômicas de integrantes do Banco Master. Entre os benefícios citados estão pagamentos relacionados a um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, o uso de aeronaves ligadas ao Master e ingressos para o camarote de um show internacional em Los Angeles, avaliados em R$ 63,3 mil.
Líder do governo no Senado, Jaques Wagner sempre negou ter qualquer relação com as “falcatruas” do Banco Master, termo usado por ele em fevereiro deste ano ao se referir ao esquema de fraudes financeiras envolvendo a instituição.
O principal ponto de conexão de Wagner com o caso, segundo a investigação, seria o empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, que também foi alvo da operação.
A Polícia Federal identificou uma mensagem em que o senador envia a Lima detalhes sobre um apartamento que teria interesse em adquirir em Salvador. “A unidade é a 1702 e o preço é R$ 2,45 milhões”, escreveu Wagner, em mensagem datada de novembro de 2024.
Em outra conversa, a PF afirma que Wagner pediu a Lima ingressos para o show de uma cantora internacional na Califórnia, no valor de R$ 63,3 mil. Em mensagem enviada em novembro de 2023, o senador questionou o empresário sobre os “ingressos de sábado”. Lima respondeu: “Pronto amigo. Seguem os dois. Abs”.
A corporação também aponta o suposto “uso gratuito” de aeronaves ligadas a Augusto Lima. Em um dos voos, realizado em outubro de 2023, o empresário teria colocado um jatinho à disposição de Wagner para uma viagem com a família de Salvador à chamada “Ilha da Paixão”, que pertencia ao ex-sócio do Banco Master.
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