Poder e Governo
Endereço ligado a Jaques Wagner é alvo de nova fase da Operação Compliance Zero
PF investiga possível relação de agente público com irregularidades envolvendo o Banco Master e empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro
A Polícia Federal cumpriu, nesta quinta-feira, mandado de busca e apreensão em endereço ligado ao líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no âmbito da investigação que apura supostas fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.
A ação faz parte da nona fase da Operação Compliance Zero e foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
O nome do senador já havia sido citado no contexto do caso Master após a revelação de que sua nora recebeu ao menos R$ 11 milhões do banco. O valor teria sido pago à empresa BK Financeira, que pertence a ela. À época, Wagner afirmou não ter “conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”.
Além do endereço ligado a Jaques Wagner, a operação também teve como alvo o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Ao todo, 18 mandados de busca e apreensão são cumpridos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, por determinação do STF.
Em nota, a Polícia Federal informou que a operação busca “apurar a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional”. Ainda segundo a corporação, os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
A fase anterior da Compliance Zero teve como alvo o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e investigou aportes suspeitos do Rioprevidência em letras financeiras do Banco Master, que totalizaram cerca de R$ 3 bilhões.
Deflagrada em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero teve início com a investigação sobre a suposta criação de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de títulos fraudulentos pelo Banco Master, em um esquema apontado como bilionário. Com o avanço das apurações, outras figuras passaram a ser citadas, entre elas o senador Ciro Nogueira (PP-PI), em razão de sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso.
A Polícia Federal ampliou o foco da investigação e também apura a possível existência de uma rede de corrupção e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, além de uma estrutura paralela de intimidação e espionagem, apelidada de “A Turma”.
Nota da defesa de Augusto Lima:
“As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.
De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.
Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.”
A nota é assinada pelos advogados Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebastián Mello.
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