Poder e Governo

Jaques Wagner desafiou opositores a provarem investigação dois dias antes de buscas da PF

Na ocasião, o senador afirmou repudiar acusações contra o PT da Bahia e disse que a “verdade sempre vencerá”

Agência O Globo - 18/06/2026
Jaques Wagner desafiou opositores a provarem investigação dois dias antes de buscas da PF
Jaques Wagner

O senador Jaques Wagner (PT-BA) desafiou opositores a comprovarem a existência de investigações contra ele no âmbito do caso Banco Master, em publicação nas redes sociais feita dois dias antes de ser alvo de buscas da Polícia Federal. O post reproduzia um vídeo de uma fala do parlamentar no Congresso. Na legenda, Wagner afirmou repudiar acusações contra o PT da Bahia e declarou que a “verdade sempre vencerá”.

— Já desafiei vários a me mostrarem qual foi a investigação da Federal que encontrou algo sobre meu comportamento e o comportamento do ex-governador Rui Costa — disse o senador no vídeo.

A Polícia Federal apontou, nesta quinta-feira, que Wagner teria sido o “beneficiário central” de supostas “vantagens econômicas” pagas por integrantes do Banco Master. Entre os benefícios citados estão pagamentos relacionados a um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, o uso de aeronaves ligadas ao banco e ingressos para o camarote de um show internacional em Los Angeles, que teriam custado R$ 63,3 mil.

Líder do governo no Senado, Wagner sempre negou ter qualquer relação com as “falcatruas” do Banco Master — expressão usada por ele, em fevereiro deste ano, ao se referir ao esquema de fraudes financeiras envolvendo a instituição.

Segundo a investigação, o ponto de conexão entre Wagner e o caso Master seria o empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do banco, que também foi alvo da operação desta quinta-feira.

A PF identificou uma mensagem em que o senador envia a Lima detalhes de um apartamento que teria interesse em adquirir em Salvador. “A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 milhões”, escreveu Wagner. A mensagem é datada de novembro de 2024.

Em outra conversa, de acordo com a PF, Wagner teria solicitado a Lima ingressos no valor de R$ 63,3 mil para o show de uma cantora internacional na Califórnia. Em mensagem enviada em novembro de 2023, o petista questiona o empresário sobre os “ingressos de sábado”, ao que Lima responde: “Pronto amigo. Seguem os dois. Abs”.

A Polícia Federal também aponta o suposto “uso gratuito” de aeronaves ligadas a Lima por parte de Wagner. Em um dos voos, ocorrido em outubro de 2023, o empresário teria colocado um jatinho à disposição do senador para que ele viajasse com a família de Salvador à “Ilha da Paixão”, que pertencia ao ex-sócio do Master.

Em outro episódio, em abril de 2024, o senador teria pedido ao empresário o contato do piloto para um deslocamento ao Rio de Janeiro.

As suspeitas foram apresentadas pela PF e constam da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que expediu os mandados cumpridos nesta quinta-feira. Segundo o despacho, Wagner teria recebido as supostas “vantagens” em troca de atuação no Congresso Nacional em favor do Banco Master.

Em nota, a defesa de Augusto Lima classificou as ações da PF como “desnecessárias”, sob o argumento de que o empresário já estaria à disposição das autoridades “há seis meses”.

“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos. Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”, diz o texto.