Poder e Governo

PF apura possível relação ilícita entre Jaques Wagner, Daniel Vorcaro e Augusto Lima

Líder do governo no Senado foi alvo de operação autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF

Agência O Globo - 18/06/2026
PF apura possível relação ilícita entre Jaques Wagner, Daniel Vorcaro e Augusto Lima
Foto: © Tereza Sobreira / Ministério da Defesa

A Polícia Federal apura uma “possível relação ilícita” entre o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), o banqueiro Daniel Vorcaro e Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. A informação consta em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação deflagrada nesta quinta-feira.

Segundo Mendonça, a PF sustenta que, ao longo das investigações, foram identificados elementos indicativos de recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente, por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias ligadas ao grupo econômico investigado.

Os agentes cumprem a nona fase da Operação Compliance Zero, por determinação de Mendonça, relator do caso no STF.

O nome de Jaques Wagner já havia aparecido no contexto do caso Master após a revelação de que sua nora recebeu pelo menos R$ 11 milhões do banco. O valor foi pago à empresa BK Financeira, pertencente a ela. À época, o senador afirmou que não tinha “conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”.

Além de Wagner, a operação também teve como alvo o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Ao todo, são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal.

Em nota, a Polícia Federal informou que a ação busca “apurar a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional”. Ainda conforme a corporação, os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A fase anterior da Compliance Zero teve como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e apurava aportes suspeitos do Rioprevidência em letras financeiras do Banco Master, que teriam totalizado cerca de R$ 3 bilhões.

Deflagrada em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero começou investigando a suposta criação de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de títulos fraudulentos pelo Banco Master, em um esquema de fraude bilionário. Com o avanço das apurações, outras figuras passaram a ser alcançadas, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), em razão de sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso.

A PF ampliou o foco da investigação e apura também uma suposta rede de corrupção e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, além da existência de uma estrutura paralela de intimidação e espionagem, apelidada de “A Turma”.