Poder e Governo

Flávio Bolsonaro reage a ação da PF em endereço ligado a Jaques Wagner e cobra CPMI do Banco Master

Senador do PL, também citado em suspeitas envolvendo o caso, atribuiu o escândalo ao PT; petista nega irregularidades

Agência O Globo - 18/06/2026
Flávio Bolsonaro reage a ação da PF em endereço ligado a Jaques Wagner e cobra CPMI do Banco Master
Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução / Instagram

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, reagiu nesta quinta-feira à operação da Polícia Federal (PF) que teve como um dos alvos um endereço ligado ao líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A ação ocorre no âmbito das investigações sobre o escândalo do Banco Master.

Flávio, que também aparece citado em suspeitas relacionadas ao caso, passou a defender a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o esquema de fraudes financeiras e associadas o episódio ao PT.

Entenda:

"Escândalo envolvido o PT é como a incompetência do governo Lula: não tem como esconder. CPMI do Banco Master já!", afirmou Flávio Bolsonaro.

Agentes da PF cumpriram o mandato de busca e apreensão em um endereço relacionado a Jaques Wagner. A diligência integra a nona fase da Operação Compliance Zero, determinada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

O nome de Wagner já havia surgido no contexto do caso Master após a divulgação de que sua nora recebeu pelo menos R$ 11 milhões do banco. O valor foi pago à empresa BK Financeira, que pertence a ela.

Em nota, o senador afirmou que “não tem conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa referida”. A empresa, por sua vez, negou irregularidades e sustenta que prestou serviços.

Pedido de dinheiro a Vorcaro

Flávio Bolsonaro também teve sua pré-campanha impactada pelo escândalo do Banco Master. A crise ganhou força após o Intercept revelar áudios em que o senador pede apoio financeiro a Daniel Vorcaro, dono do banco, para ajudar a concluir o filme “Dark Horse”.

Na gravação, o senador demonstra preocupação com atrasos em pagamentos relacionados ao longa-metragem e menciona o risco de não conseguir honrar compromissos reforçados com membros da equipe do filme, incluindo o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.

Desde então, as reportagens passaram a apontar a participação formal do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro na estrutura financeira do filme, além de mensagens que discutiriam formas de envio de recursos aos Estados Unidos.

A Polícia Federal investiga se parte do dinheiro ligado ao longo de muito tempo poderia ter sido usado para custear a permanência de Eduardo no exterior.

Na tentativa de conter o desgaste, Flávio defendeu publicamente a instalação de uma CPMI para investigar o Banco Master e anunciou que solicita uma prestação de contas específicas da produtora e do fundo vinculado ao investimento no filme.