Poder e Governo
Investigação do caso Master avança sobre vínculos de Vorcaro na Bahia e tensiona eleição no estado
Integrantes dos principais grupos políticos baianos já foram citados em documentos da apuração; Jaques Wagner é alvo de operação
A operação da Polícia Federal que mira o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) , no curso das investigações sobre o Banco Master, provoca reflexos no cenário eleitoral da Bahia. Wagner é pré-candidato à reeleição, e as revelações do caso já citaram outros nomes que deveriam disputar a eleição no estado, como o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) , pré-candidato ao governo.
A empresa da nora de Wagner recebeu pelo menos R$ 11 milhões do Banco Master, segundos dados que integram as investigações. O valor foi pago à BK Financeira, empresa pertencente a ela.
Em nota, Wagner afirmou que “não tem conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa relacionada”. A firma nega irregularidades e sustentação que prestou serviços.
No campo do PT, também aparecem as relações do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro , dono do Master, com figuras do partido, entre elas o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa .
No caso de ACM Neto, dados informados pelo Master à Receita Federal apontam o pagamento de R$ 5,4 milhões ao ex-prefeito, por meio de sua empresa de consultoria, entre 2023 e 2025.
De acordo com dados do Coaf, entre junho de 2023 e maio de 2024, a empresa de ACM Neto recebeu R$ 1,55 milhão em 11 repasses da Reag, gestora também investigada no caso Master. Antes disso, entre março e junho de 2023, a A&M recebeu R$ 281,55 mil da Reag.
Ao jornal O Globo, a empresa de ACM Neto informou que “não pode validar os valores” por não ter tido acesso aos dados.
"Importante destacar que a referida relação comercial foi firmada sem que quaisquer dos sócios da A&M ocupassem carga pública à época da formalização e execução do contrato. Imperativo relembrar que foi apresentada petição à PGR e ao STF na qual a A&M se coloca à disposição para prestar esclarecimentos e detalhes específicos dos serviços prestados, assim como requereu que se apurasse o bloqueio de dados fiscais sigilosos", diz o texto.
Diante do quadro, membros da União Brasil tentaram transferir o desgaste para o PT, afirmando que uma das origens do caso envolvia uma suposta fraude bancária remonta às gestões petistas na Bahia, quando Rui Costa era governador.
O petista privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo, arrematada em 2018 por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro agora liquidado Banco Master.
Lima deixou o Master em 2023 e levou consigo um dos ativos incluídos no leilão promovido pela gestão de Rui Costa: o Credcesta, cartão de crédito consignado para servidores e aposentados.
O ministro incluiu o Credcesta no terceiro leilão da Ebal, depois de duas tentativas mal sucedidas de venda da empresa de iniciativa privada. Com o ativo, a compra passou a ser considerada vantajosa.
Em fevereiro, Costa defendeu uma decisão tomada quando era governador e argumentou que a operação de cartão de crédito consignado foi o que viabilizou o negócio.
Do outro lado, petistas aproveitaram o caso envolvendo ACM Neto para tentar desvincular a esquerda do escândalo.
Com o escândalo atingiu os dois campos políticos, os grupos de ACM Neto e de Wagner — que devem apoiar a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) — firmaram um acordo de bastidores para deixar o caso Master fóruns da disputa eleitoral na Bahia neste ano.
Como mostrou O Globo, aliados do ex-prefeito e do senador conversaram e concluíram que a exploração do caso Master não seria benéfica para nenhum dos lados. A partir daí, decidimos selar um pacto de não agressão em torno do tema.
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