Poder e Governo
Entenda a relação entre o PT baiano e banqueiro investigado no escândalo do Master
Augusto Lima e o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado e candidato à reeleição, foram alvos da Polícia Federal nesta quinta-feira
Os desdobramentos da nona fase da Operação Compliance Zero ampliaram o impacto do escândalo do Banco Master no cenário eleitoral da Bahia. A antiga relação entre o PT no estado e o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, tornou-se um ponto sensível para a campanha do partido.
Lima e o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado e candidato à reeleição, foram alvos da Polícia Federal nesta quinta-feira, no âmbito das investigações sobre o suposto esquema de fraude financeira envolvendo o Banco Master.
Análise
Cenário imperdível na Bahia
Jaques Wagner e o ex-governador Rui Costa disputarão o Senado este ano na chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e aparecerão como favoritos nas pesquisas. Do outro lado da disputa pelo Executivo estadual está o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), que também teve uma campanha impactada pelo caso Master.
O nome de Jaques Wagner já havia aparecido no contexto do caso após publicação do portal Metrópoles informando que a nora do senador recebeu pelo menos R$ 11 milhões do banco. O valor teria sido pago à empresa BK Financeira, pertencente a ela.
À época, Wagner afirmou que não tinha “conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa mencionada”. Nesta quinta-feira, o senador foi alvo de mandato de busca e apreensão no âmbito das apurações sobre o esquema atribuído ao Banco Master.
A relação entre o PT baiano e Augusto Lima remonta ao governo Rui Costa, quando o petista privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo. A Ebal foi comprada pelo banqueiro, que também arrematou um cartão de crédito consignado destinado a servidores e aposentados.
O cartão, posteriormente batizado de Credcesta , teve a operação expandida para todo o país em parceria com o Master, banco do qual Lima saiu em 2023.
Rui Costa incluiu o cartão no terceiro leilão da empresa, após duas tentativas mal sucedidas de venda à iniciativa privada. Em fevereiro, o ex-governador defendeu a decisão e afirmou que a operação foi o que viabilizou o negócio.
Impacto na campanha de ACM Neto
Documentos entregues pelo banco de Daniel Vorcaro à Receita Federal apontam o pagamento de R$ 5,4 milhões a ACM Neto por meio de sua empresa de consultoria, entre 2023 e 2025.
O ex-prefeito de Salvador afirmou que a relação com o Master foi firmada sem que qualquer um dos sócios da empresa “ocupasse carga pública à época da formalização e execução do contrato”. ACM Neto diz que fez análises da “agenda político-econômica nacional” e participou de uma série de reuniões com representantes do banco.
Conformidade Zero
Deflagrada em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero começou a investigar a suposta criação de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de títulos fraudulentos pelo Banco Master, em um esquema apontado como bilionário.
Com o avanço das apurações, outras figuras passadas a serem citadas nas investigações, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), em razão de sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso.
A Polícia Federal ampliou o foco de investigação e apura também uma suposta rede de corrupção e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, além da existência de uma estrutura paralela de intimidação e espionagem, apelidada de “A Turma”.
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