Poder e Governo

Trump confunde filhos de Bolsonaro ao comentar condenação de Eduardo

Presidente dos EUA afirmou ter ouvido que “Bolsonaro Jr.” teria sido preso por uma declaração no Texas, onde Eduardo vive atualmente

Agência O Globo - 17/06/2026
Trump confunde filhos de Bolsonaro ao comentar condenação de Eduardo
O presidente Donald Trump - Foto: Foto AP/Jacquelyn Martin.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pareceu confundir os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro ao comentar a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Durante a cúpula do G7, na França, nesta quarta-feira, Trump disse ter ouvido que “prenderam o Bolsonaro Jr.” e afirmou que o brasileiro “estava indo bem nas pesquisas”. O pré-candidato da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto, no entanto, é o senador Flávio Bolsonaro.

— Tem sido desagradável. Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele (Lula) e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele deu uma declaração no Texas. Prenderam ele, ou querem prender ele — declarou Trump.

Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo na terça-feira por coagir magistrados e articular sanções junto ao governo dos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro. O ex-deputado foi acusado de tentar inviabilizar o julgamento da trama golpista, no qual Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão. Eduardo vive atualmente em uma mansão em Southlake, no Texas.

A Procuradoria-Geral da República acusa Eduardo de atuar para articular sanções contra autoridades brasileiras, incluindo tarifas de exportação anunciadas no ano passado, além da suspensão de vistos de integrantes do STF e do atual governo. A acusação também cita a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, medida que prevê restrições financeiras, como cancelamento de contas bancárias e impedimento de uso de cartões de crédito com bandeiras de empresas americanas.

As ações são apontadas como uma tentativa de pressionar e intimidar a Corte às vésperas do julgamento que condenou Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, em setembro do ano passado.

“Politicamente difícil”

Trump também afirmou nesta quarta-feira que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a cúpula do G7 e classificou o Brasil como um “país politicamente difícil”. A declaração foi dada após o americano ser questionado se havia tratado com Lula sobre o novo tarifaço e a designação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.

Mais tarde, Lula reagiu e disse esperar que Trump “não se meta nas eleições” brasileiras.

— Sim, eu passei bastante tempo com ele (Lula), na verdade — afirmou Trump, sem detalhar o conteúdo da conversa. — Tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente.