Poder e Governo

Ciro Nogueira atua para barrar apoio da federação União-PP a Flávio Bolsonaro

Integrantes da cúpula dos dois partidos reconhecem influência do presidente do PP e veem neutralidade como caminho mais provável

Agência O Globo - 17/06/2026
Ciro Nogueira atua para barrar apoio da federação União-PP a Flávio Bolsonaro
Ciro Nogueira - Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), articula para que a federação formada por seu partido e pelo União Brasil não apoie o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial deste ano. Integrantes das duas legendas avaliam que o grupo deve adotar uma posição de neutralidade na eleição.

Aliados de Ciro afirmam que houve um rompimento entre ele e Flávio Bolsonaro em razão dos desdobramentos do escândalo envolvendo suspeitas de fraudes financeiras no Banco Master.

A insatisfação do presidente do PP, compartilhada por outros integrantes do comando da federação, está relacionada à forma como Flávio reagiu depois que Ciro foi alvo de um mandado de busca e apreensão da Polícia Federal no início de maio.

Na avaliação de integrantes da federação, Flávio buscou se afastar do senador do PP e não demonstrou solidariedade ao aliado.

O entendimento na cúpula da União-PP é de que não seria viável firmar aliança com um candidato à Presidência que, na avaliação do grupo, permitiria o desgaste isolado do principal partido de sua base.

Embora a neutralidade seja considerada o cenário mais provável, dirigentes nacionais dos partidos afirmam que ainda não há decisão definitiva sobre a eleição. A federação deverá se reunir para definir formalmente o caminho a ser seguido.

A interlocutores, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio, já trabalha com a hipótese de que o PL não contará com a federação União-PP na coligação.

No entorno de Flávio, a eventual ausência dos dois partidos é minimizada sob o argumento de que o PL já dispõe do maior fundo eleitoral e do maior tempo de propaganda. Também há a avaliação de que dificilmente PP e União Brasil embarcariam na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ainda assim, o PL segue em busca de alianças com partidos menores para ampliar a estrutura da campanha de Flávio Bolsonaro.

Diante desse cenário, alas governistas do PP e do União Brasil tentam uma aproximação com setores do Centrão.

Esse grupo admite que, mesmo com o distanciamento entre Ciro e Flávio, ainda há maioria de direita na federação, o que torna uma aliança com Lula altamente improvável. Apesar disso, busca-se um pacto para evitar críticas mais contundentes do comando dos partidos ao presidente e ao governo federal.

O deputado André Fufuca (PP-MA), ex-ministro do Esporte de Lula e aliado próximo de Ciro Nogueira, tenta convencer o presidente do PP a reduzir o tom das críticas ao governo federal.

Fufuca, que pretende disputar uma vaga no Senado e dar palanque a Lula, chegou a ser afastado do comando do PP no Maranhão em meio a uma tentativa da federação União-PP de romper com o governo. A decisão, no entanto, foi revertida em abril, e ele retomou o cargo no partido.

Em outro sinal de aproximação com o governo, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, foi ao Ministério do Turismo na semana passada para visitar o ministro Gustavo Feliciano, filho do deputado Damião Feliciano (União-PB), ligado à ala governista da federação.

Entenda o afastamento entre Flávio e Ciro

Quando Ciro Nogueira foi alvo da operação de busca e apreensão, no início de maio, a Polícia Federal realizou diligências em endereços ligados ao senador para apurar se ele teria recebido dinheiro para atuar no Congresso em favor do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Ciro nega qualquer irregularidade.

Diante da crise envolvendo o dirigente partidário, Flávio Bolsonaro buscou se afastar de Ciro e afirmou que “não é porque as pessoas têm proximidade” com ele que teria “que responder pelos atos delas”.

Uma semana depois, quando foram reveladas mensagens em que Flávio pedia dinheiro a Vorcaro para financiar um filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, foi a vez de Ciro demonstrar incômodo com o senador do PL.

Em entrevista a uma emissora do Piauí, no dia 21 de maio, o presidente do PP afirmou que, “se for culpado”, Flávio “terá que ser punido exemplarmente”.

No Piauí, o PP de Ciro faz oposição ao PT local. Ao mesmo tempo, decidiu lançar um candidato ao governo que também será adversário do PL de Flávio Bolsonaro.