Poder e Governo
Ex-NBA teria sido alvo de plano de emboscada atribuído a Vorcaro
Ronald Fred Seikaly, ex-jogador e DJ, teve uma filha com Martha Graeff, ex-namorada do dono do Banco Master
Diálogos interceptados pela Polícia Federal (PF) apontam que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria planejado uma emboscada contra o DJ e ex-jogador da NBA Ronald Fred Seikaly, conhecido como Rony Seikaly. Segundo as investigações, o plano teria sido articulado pela chamada “Turma”, grupo apontado como responsável por intimidar e monitorar desafetos do banqueiro.
Seikaly teve um relacionamento com Martha Graeff, que foi namorada de Vorcaro à época dos fatos citados pela investigação. O ex-atleta e Martha têm uma filha.
Atualmente, Rony Seikaly atua como DJ e se apresenta nas redes sociais como produtor de house music. No Instagram, onde reúne cerca de 152 mil seguidores, ele escreveu: “Haverá pessoas que duvidarão da sua jornada, paixão e desejo. Seguir em frente é o que acabará por definir você!”.
Nascido em 1965, em Beirute, no Líbano, Seikaly iniciou a carreira na NBA pelo Miami Heat, em 1988, e atuou também por New Jersey Nets, Golden State Warriors e Orlando Magic ao longo dos anos 1990.
De acordo com a PF, Vorcaro chegou a cogitar um plano que envolveria o uso de drogas contra Seikaly, além de mencionar pressão policial e de milícia. Integrantes da Turma teriam usado o login de uma servidora do Ministério Público Federal para produzir um ofício falso à Interpol, com o objetivo de obter informações sobre o ex-jogador.
Milhões para o plano
As conversas analisadas pela Polícia Federal ocorreram em outubro de 2024, entre Daniel Vorcaro e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, que morreu na prisão. Nos diálogos, Vorcaro teria sugerido simular um incidente envolvendo drogas e afirmado que investiria até R$ 10 milhões para “ensinar que com filho não se mexe”. O relatório da PF, porém, não esclarece exatamente a que situação o banqueiro se referia.
Outra possibilidade discutida seria atrair Seikaly ao Brasil para uma apresentação como DJ e, então, submetê-lo à “pressão da milícia e da polícia”. A investigação aponta ainda que a Turma utilizou informações sigilosas de sistemas internos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal para levantar dados sobre o ex-atleta, incluindo consultas ao sistema de controle migratório.
Nas mensagens, Vorcaro pediu que fosse envolvida no plano uma pessoa a quem se referiu como “amigo da Interpol”. As investigações, no entanto, não identificaram quem seria esse suposto contato no órgão internacional.
Em uma das conversas, Luiz Phillipi Mourão levanta a possibilidade de trazer Seikaly ao Brasil para atuar como DJ. Em seguida, Vorcaro encaminha mensagens recebidas: “Pressão milícia e polícia. Mas acho que a pressão da Interpol vai assustar mais”.
Em outro trecho, Vorcaro fala sobre a importância do assunto para ele: “Vou pôr 10MM [milhões] na mesa fora os custos para dar uma lição nesse cara e ensinar que com filho não se mexe”.
Em conversa de 30 de outubro de 2024, o ex-delegado da Polícia Federal Marilson Roseno Silva, apontado como integrante da Turma, afirmou que repassaria mais informações a um dos agentes pagos por Vorcaro. Ele indicou que a demanda seria “para o CEO do banco” e que seria interessante “dar um pulão nele” quando Seikaly chegasse ao Brasil.
Silva, policial federal aposentado, é apontado pelas investigações como a liderança operacional da Turma. Segundo a PF, ele integrava o núcleo de “intimidação e obstrução da Justiça”, responsável por coordenar ações contra desafetos do ex-banqueiro, incluindo o planejamento de atentados e o monitoramento de inquéritos sigilosos por meio de consultas indevidas a sistemas da corporação.
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