Poder e Governo
Com Pedro Paulo na disputa, Rio amplia lista de candidatos ao Senado
Aliado de Paes terá o desafio de disputar votos em um cenário fragmentado, com nomes da esquerda, do PL e de outras siglas
A confirmação da candidatura do deputado Pedro Paulo (PSD) ao Senado amplia o leque de postulantes no Rio de Janeiro e acirra a disputa pelas duas vagas em jogo. Além do aliado do pré-candidato ao governo do estado Eduardo Paes (PSD), há pelo menos oito nomes colocados. Entre eles estão as opções do PL. Segundo interlocutores, o ex-presidente Jair Bolsonaro sinalizou, nos últimos dias, preferência pelo deputado Carlos Jordy, mas a decisão ainda não foi oficializada.
Pedro Paulo e o nome a ser escolhido pelo PL devem enfrentar um cenário fragmentado, com concorrência dentro e fora de suas respectivas alianças. O correligionário de Paes passou meses como possível candidato, até que o anúncio foi feito na segunda-feira, por meio de publicação do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Em uma foto em que aparece jogando xadrez com o escolhido, o dirigente escreveu que, “no xadrez, como na política, ganha quem move as peças certas na hora certa”.
O principal desafio para o aliado de Paes será se sobrepor aos votos fiéis da esquerda e do PL. Na avaliação de apoiadores da candidatura, os trunfos de Pedro Paulo são a proximidade com o pré-candidato ao governo, a possível correlação entre os votos para governador e senador e a capacidade de atrair o “segundo voto” de eleitores de diferentes candidaturas ao Senado.
Além da deputada Benedita da Silva (PT) e de Pedro Paulo, dois nomes são apresentados por partidos que integram a aliança de Paes: os vereadores Marcos Dias, do Podemos, e Helena Vieira, do PSDB. Ambos resistem a retirar suas candidaturas, mas prometem incluir o candidato do PSD nos materiais de campanha, já que, nesta eleição, os eleitores escolherão duas opções para o Senado.
Há, porém, a compreensão de que o cenário ideal para o grupo de Paes seria convencer Podemos e PSDB a reverem seus planos. As siglas, no entanto, pretendem fortalecer seus números partidários e ampliar suas bancadas de deputados, estratégia considerada importante para superar a cláusula de barreira.
Outro obstáculo para Pedro Paulo é a decisão do PSOL, única legenda de esquerda que não deverá integrar a futura coligação de Paes, de lançar candidatura própria ao Senado. O nome escolhido é o da vereadora carioca Monica Benicio. A tendência é que ela herde o segundo voto de parte dos eleitores de Benedita da Silva, principal representante da esquerda na disputa.
Dúvidas no PL
Carlos Jordy ainda não foi oficializado, e a disputa interna no PL para definir quem substituirá o ex-governador Cláudio Castro, alvo da Polícia Federal, permanece aberta. Bolsonaro, no entanto, manifestou preferência pelo parlamentar. Cabe a ele bater o martelo sobre as candidaturas ao Senado, e o senador Flávio Bolsonaro também vê com simpatia a possibilidade de lançar Jordy. A expectativa é que um anúncio seja feito nos próximos dias.
Desde que Castro, que já estava inelegível em razão de condenação eleitoral no caso Ceperj, virou alvo de duas operações da Polícia Federal e passou a ser considerado inviável eleitoralmente, o PL intensificou as conversas internas para definir um substituto. Como Jordy tem perfil mais ideológico e menor trânsito na política fluminense, dirigentes da sigla manifestam preferência pelo atual senador Carlos Portinho.
Eleito em 2018 como suplente de Arolde de Oliveira (PSD), que morreu no primeiro ano de mandato, Portinho é visto por integrantes do partido como um nome capaz de unir diferentes alas. A avaliação é que Jordy teria mais dificuldade para ampliar sua votação além do bolsonarismo, o que poderia pesar em uma eleição considerada altamente competitiva.
Além do nome a ser definido pelo PL, a chapa do presidente da Assembleia Legislativa e pré-candidato ao governo, Douglas Ruas (PL), conta com o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União) para o Senado.
Impasse no Republicanos
Fora das alianças de PSD e PL, o Republicanos aparece como uma incógnita. A legenda, ligada à Igreja Universal, é o único partido de grande porte que ainda não se inclinou para um dos principais polos da disputa. A sigla mantém o discurso de que lançará candidaturas próprias ao governo e ao Senado.
Para o Senado, o nome que desponta é o do ex-prefeito Marcelo Crivella, que já ocupou o cargo. O bispo licenciado, no entanto, teve inelegibilidade imposta pela Justiça Eleitoral por abuso de poder político e econômico em 2024, em razão de irregularidades atribuídas às eleições de 2016 e 2020. Politicamente, sua eventual candidatura é vista como um fator capaz de ampliar as incertezas no cenário eleitoral.
Crivella tenta obter liminar para concorrer enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não julga definitivamente o caso, que resultou em condenação até 2028 no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Para o governo do estado, o Republicanos trabalha com os nomes do ex-prefeito de Miguel Pereira André Português e do ex-governador Anthony Garotinho, que tentam se viabilizar na disputa.
Mais lidas
-
1ACIDENTE AÉREO
Vídeo mostra momento em que helicóptero atinge o solo no Recreio dos Bandeirantes
-
2RIO DE JANEIRO
Apagão deixa bairros da Grande Tijuca sem luz e afeta trânsito na Zona Norte do Rio
-
3OCORRÊNCIA
Acidente envolvendo carreta deixa duas vítimas fatais no trecho da Chã dos Costas
-
4DOCUMENTAÇÃO
Detran Alagoas é o primeiro do Brasil a ofertar carros automáticos gratuitos para exames práticos
-
5FÓRMULA 1
Kim Kardashian leva o estilo WAG à Fórmula 1: o que significa sigla associada à namorada de Lewis Hamilton