Poder e Governo

Defesa do pai de Daniel Vorcaro critica prisão e cobra acesso integral a provas

Segunda Turma do STF manteve, por maioria, a prisão preventiva de Henrique Vorcaro

Agência O Globo - 16/06/2026
Defesa do pai de Daniel Vorcaro critica prisão e cobra acesso integral a provas
Daniel Vorcaro - Foto: © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

A defesa de Henrique Vorcaro criticou, nesta terça-feira, a decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que manteve sua prisão preventiva. Em nota divulgada após o julgamento, os advogados classificaram a medida como “extrema, desnecessária e desproporcional” e afirmaram que não há elementos concretos que justifiquem a continuidade da custódia cautelar.

Representado pelo advogado Eugenio Pacelli, Henrique Vorcaro é pai do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no âmbito da Operação Compliance Zero. Por maioria de votos, a Segunda Turma decidiu manter a prisão decretada pelo ministro André Mendonça.

Na manifestação, a defesa sustenta que Henrique Vorcaro sempre esteve à disposição das autoridades e que não representa risco à investigação.

“Henrique Vorcaro sempre esteve à disposição das autoridades, não oferece risco à investigação e não pode ser mantido preso com base em presunções, conjecturas ou responsabilidades atribuídas a terceiros”, afirma a nota.

Os advogados também defenderam que os fatos sejam analisados de forma individualizada, com base nas provas efetivamente produzidas nos autos, e não a partir de vínculos familiares ou empresariais com outros investigados.

Outro ponto destacado pela defesa foi a alegada dificuldade de acesso aos elementos que fundamentam as acusações. Segundo os advogados, a falta de acesso integral ao material da investigação compromete o exercício da ampla defesa.

“A defesa também registra preocupação com a falta de acesso integral aos elementos que embasam as acusações, o que compromete o pleno exercício da ampla defesa”, diz o texto.

Os advogados ainda criticaram a divulgação de informações sobre a investigação antes que a defesa tivesse conhecimento completo dos documentos constantes nos autos. Para a equipe jurídica, a antecipação de informações à imprensa contribui para a formação de juízos prévios sobre o caso e cria um ambiente de persecução incompatível com as garantias constitucionais.

As reclamações apresentadas pela defesa estão em linha com críticas feitas durante o julgamento pelo ministro Gilmar Mendes. Ao votar pela substituição da prisão de Henrique Vorcaro por prisão domiciliar, o decano do STF questionou a disponibilização tardia de documentos da investigação e afirmou que nem mesmo integrantes da Segunda Turma tiveram acesso integral a determinados elementos usados para fundamentar medidas cautelares.

Apesar do voto de Gilmar Mendes, prevaleceu o entendimento do relator, André Mendonça, acompanhado pelos ministros Kássio Nunes Marques e Luiz Fux, de que permanecem presentes os requisitos para a manutenção da prisão preventiva.