Poder e Governo

Rogério Marinho diz que caso “Dark Horse” abalou pré-campanha de Flávio

Coordenador da pré-candidatura ao Planalto afirma que impacto seria menor se relação com Daniel Vorcaro tivesse sido exposta antes

Agência O Globo - 14/06/2026
Rogério Marinho diz que caso “Dark Horse” abalou pré-campanha de Flávio
O senador Rogério Marinho (PL-RN) - Foto: Pedro França/Agência Senado

Coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, o senador Rogério Marinho (PL-RN) reconhece que a revelação do caso “Dark Horse” abalou a candidatura e teve efeito negativo na trajetória do pré-candidato nas pesquisas de intenção de voto.

Marinho avalia que o impacto poderia ter sido menor se Flávio tivesse tornado pública, previamente, a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a quem pediu recursos para financiar a cinebiografia do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar disso, o senador minimiza a repercussão no longo prazo e afirma que a disputa pelo Planalto é uma “maratona, não uma corrida de 100 metros”.

Líder da oposição no Senado, Marinho também criticou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala 6x1, aprovada pela Câmara com apoio de deputados do PL. Para ele, a medida impõe uma “camisa de força ao setor produtivo”. Como contraponto, o senador apresentou uma proposta alternativa que prevê a possibilidade de escolha entre o regime da CLT e uma jornada baseada em horas trabalhadas.

As pesquisas mostram queda de Flávio após o caso “Dark Horse”. Isso atrapalhou a campanha?

Uma campanha não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona. Foi apresentada uma candidatura contra alguém que está sentado na cadeira e faz política há 40 anos. A rejeição a Lula está cristalizada, e há vetores que demonstram essa repulsa.

Quais?

O primeiro é a corrupção. O questionamento feito a Flávio é que uma relação privada veio a público de uma forma criminalizada. Se ele tivesse tido o cuidado de expor isso antes, talvez o impacto não fosse tão grande. Não se trata de contrapartida, de advocacia administrativa nem de apresentação de projetos para beneficiar A ou B. Ele [Vorcaro] foi recebido fora da agenda mais de uma vez pelo nosso principal adversário [Lula]. Não há perplexidade nem indignação. Quando se fala de Lula e de corrupção, isso está precificado. E, quando do nosso lado há uma relação privada, ela é criminalizada porque não foi exposta da maneira adequada. Sem dúvida nenhuma, isso abalou a campanha.

Flávio disse que vai divulgar a prestação de contas do filme. Quando isso vai acontecer?

Esperamos que, após a prestação de contas, que será feita, as pessoas possam virar essa página e entender que temos um Brasil para discutir.

O prazo informado por ele termina nesta semana. Em que pé está isso?

Aguarde o prazo.

O PL vai trocar o candidato se surgirem novos elementos sobre a relação entre Flávio e Vorcaro?

Flávio é o nosso plano A, B, C e F.

Há uma disputa por influência no entorno de Flávio entre uma ala ideológica e outra pragmática. Como equilibrar?

Todo partido grande tem grupos distintos, que pensam de forma diferente. Essa é a nossa força e a nossa fragilidade: a multiplicidade de visões, que precisam convergir na mesma direção. O que nos une é a visão conservadora de mundo e a visão liberal da economia.

As declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro podem atrapalhar Flávio? Ele sugeriu que o Pix, criticado pelos EUA, fosse tema de negociação com o presidente Donald Trump.

Há forma e conteúdo. Na forma, cada um tem uma maneira de se colocar. No conteúdo, pensamos parecido. Não vou dizer igual, porque ninguém é igual a ninguém. Quem está no PL tem uma visão conservadora da sociedade. E o partido tem um líder, que se chama Jair Messias Bolsonaro.

Que está preso, em casa, e sem poder se comunicar.

Mas continua tendo interlocução conosco por meio de Flávio Bolsonaro, que hoje é o intérprete, quem vocaliza o que pensa o presidente Bolsonaro. Espero que, em breve, essa injustiça [a prisão] seja corrigida.

Eduardo defendeu recentemente a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) para vice de Flávio. É um bom nome?

Eduardo tem todo o direito de opinar. É evidente que precisamos nos debruçar sobre esse tema em algum momento. Espero que, daqui a dez ou 15 dias, a gente pare um pouco para avaliar quem agregará mais à chapa. Acho que Júlia é uma deputada aguerrida e tem todas as condições de ser levada em consideração, assim como outras que foram aventadas. A própria Tereza Cristina [senadora pelo PP-MS], Priscila Costa [pré-candidata ao Senado pelo Ceará] ou Simone Marquetto [deputada pelo PP-SP]. Há várias pessoas sendo colocadas.

Quem o senhor defende?

A minha opinião é que tenhamos um vice que agregue e tenha um perfil que combine com o do candidato.

O que a campanha vai propor na economia?

Não vamos fazer as sandices e arbitrariedades que o governo do PT está fazendo. Evidentemente, nossos orçamentos serão equilibrados. As despesas precisam caber nas receitas.

Onde haverá cortes?

Vamos fazer o que é importante para o Brasil. Não há dificuldade em buscar recursos dentro do próprio país para garantir a manutenção de programas sociais eficientes. Defendo que todos sejam mantidos. E precisamos de uma reforma administrativa. O Brasil é o país dos penduricalhos e privilégios. Você só administra o Brasil se fizer uma reforma administrativa para definir o que é carreira de Estado.

O governo Bolsonaro, do qual o senhor participou, tentou fazer isso e não conseguiu.

Posso olhar para o governo Bolsonaro e listar 500 avanços e cem defeitos. Não somos um mar de rosas. Mas a nossa preocupação é não repetir os mesmos erros e potencializar os acertos. Entre erros e acertos, somos muito superiores.

O senhor apresentou uma PEC alternativa após a aprovação, na Câmara, do fim da escala 6x1. Qual é o objetivo da sua proposta?

É uma provocação ao fato de que o governo pretende impor ao setor produtivo brasileiro uma camisa de força. O mercado de trabalho é plural e diverso. É um assunto que afeta o conjunto da sociedade brasileira e está sendo conduzido de forma irresponsável, leviana, eleitoreira e, sobretudo, sem nenhuma preocupação com as consequências. O que se propõe é absolutamente impossível de executar, a não ser que se gere um enorme passivo trabalhista, com problemas judiciais. Temos um estoque de 20 milhões de trabalhadores de pequenas e microempresas, que terão muita dificuldade de se adequar a essa nova situação. Haverá aumento da informalidade e redução de salários, porque pessoas mais bem remuneradas serão substituídas por outras com menor remuneração. Também haverá aumento da inflação, porque os custos serão repassados para bens e serviços.

O que o senhor defende, então?

Estamos falando de uma legislação que já existe no Brasil e em outros lugares do mundo. Sem imposição, permitindo que as pessoas façam uma opção pelo regime de trabalho de sua preferência: CLT ou pagamento por horas trabalhadas. Espero que o regimento seja cumprido e que possamos discutir as propostas de forma concomitante. Não tenho nenhuma dificuldade de fazer a discussão de mérito.