Poder e Governo

PL mantém salários de núcleo ligado a Bolsonaro, e custo chega a quase meio milhão em quatro meses

De janeiro a abril, partido desembolsou ao menos R$ 484 mil a parentes do ex-presidente, ex-ministros e ex-assessores

Agência O Globo - 14/06/2026
PL mantém salários de núcleo ligado a Bolsonaro, e custo chega a quase meio milhão em quatro meses
PL mantém salários de núcleo ligado a Bolsonaro, e custo chega a quase meio milhão em quatro meses - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Com a maior fatia dos recursos públicos destinados aos partidos políticos, o PL desembolsou ao menos R$ 484 mil, entre janeiro e abril deste ano, para remunerar integrantes do núcleo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Os pagamentos constam na prestação de contas da legenda e incluem nomes da família do ex-presidente, como Michelle Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, além do ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga e de ex-assessores do governo anterior.

Os valores representam um retrato parcial dos gastos do partido em 2026, já que as siglas têm até o fim de junho do ano seguinte para concluir a prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dessa forma, os números ainda podem crescer com novos lançamentos. Procurado, o PL não comentou.

A maior remuneração foi destinada a Michelle Bolsonaro, que recebeu R$ 101,5 mil nos três primeiros meses do ano, com repasses mensais de R$ 33,8 mil. Presidente do PL Mulher, Michelle tem atuação considerada central na estratégia da legenda para ampliar a presença entre o eleitorado feminino. Ela também não se manifestou.

O segundo maior valor foi pago a Carlos Bolsonaro, que recebeu R$ 83,5 mil no período, em pagamentos descritos como “serviços técnico-profissionais”. Contratado em dezembro de 2025, após deixar a Câmara do Rio, ele atua como dirigente partidário e é pré-candidato ao Senado por Santa Catarina.

Outro nome na lista é o do coronel André Costa, que recebeu R$ 66,1 mil entre janeiro e março. Ex-secretário especial de Comunicação no governo Bolsonaro, ele permanece próximo da família e atua no PL Mulher, com influência nas estratégias políticas e de comunicação.

O ex-ministro Marcelo Queiroga também foi remunerado pelo partido, com R$ 65,9 mil pagos em três parcelas. Segundo ele, o vínculo se refere a atividades partidárias na área da saúde, com foco na formulação e no acompanhamento de políticas públicas. Médico cardiologista, Queiroga comandou o Ministério da Saúde de março de 2021 a janeiro de 2023, durante a pandemia de Covid-19.

Entre os nomes mais próximos da família Bolsonaro está Tércio Arnaud Tomaz, que recebeu R$ 44,8 mil. Ex-assessor especial da Presidência, ele integrou o núcleo de estratégia digital do governo. Seu nome foi associado ao chamado “gabinete do ódio”, grupo apontado como responsável por organizar ataques a adversários políticos nas redes sociais. A mulher de Tércio, Bianca Arnaud, também foi contratada e recebeu R$ 23,3 mil. O casal foi procurado, mas não comentou.

Outras ex-assessoras também passaram a receber do partido. Adriana Mendes Fortes, ex-colaboradora do general Walter Braga Netto, recebeu R$ 44,8 mil em cinco pagamentos, incluindo despesas relacionadas a transporte, viagens e alimentação. Já Carolina Gaia e Silva, que assessorou o general Luiz Eduardo Ramos, recebeu R$ 26 mil. Procuradas, elas não responderam.

Salário para Castro

O PL também mantém entre seus quadros o ex-governador do Rio Cláudio Castro, com salário líquido de R$ 27,8 mil, equivalente a R$ 38 mil brutos. Segundo a legenda, ele atua na interlocução com prefeitos e lideranças municipais.

O contrato foi firmado após o ex-governador ser alvo da Polícia Federal. Castro teve o nome associado a apurações que envolvem Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, episódio que o levou a desistir da disputa ao Senado.

Os recursos usados para o pagamento dos salários vêm do Fundo Partidário, principal mecanismo de financiamento das legendas, formado por verbas públicas e privadas. Pela lei, 5% do fundo é dividido igualmente entre os partidos, enquanto 95% são distribuídos conforme o desempenho eleitoral. Com a maior bancada da Câmara, o PL recebeu R$ 193 milhões em 2025.

Os valores podem ser utilizados para despesas administrativas, pagamento de pessoal, manutenção de sedes, consultorias e formação política, entre outras atividades relacionadas ao funcionamento dos partidos.