Poder e Governo

Produtora diz que filme ‘Dark Horse’, sobre Jair Bolsonaro, custou R$ 75 milhões

Produção teve despesas no Brasil e nos Estados Unidos; Prefeitura de São Paulo também apura possível uso de recursos públicos no longa

Agência O Globo - 13/06/2026
Produtora diz que filme ‘Dark Horse’, sobre Jair Bolsonaro, custou R$ 75 milhões
- Foto: Reprodução

A produtora Go UP Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, declarou à Justiça que o longa-metragem custou R$ 75 milhões. Do total, R$ 54 milhões teriam sido gastos no exterior e R$ 20,9 milhões no Brasil. Em dólar, o custo informado foi de US$ 13,39 milhões.

Os valores foram apresentados no âmbito de uma investigação policial que apura supostas irregularidades na execução de um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e a ONG Instituto Conhecer Brasil, para a instalação de 5 mil pontos de internet em vias públicas da capital paulista. Um dos focos da apuração é verificar se recursos desse contrato foram usados na produção do filme, já que a empresária Karina Ferreira da Gama é dona tanto da ONG quanto da Go UP.

Segundo laudo produzido a pedido dos advogados de Karina da Gama, como parte de sua defesa no processo, a origem dos recursos seria privada. “Quanto à origem dos recursos financeiros, a perícia constatou que os ingressos vinculados ao projeto possuem origem privada, comprovada por contratos de investimentos, extratos bancários, documentos de remessa e demais registros financeiros disponibilizados para análise”, afirma o documento, assinado pelo perito particular Anísio Costa Castelo Branco.

Após a inclusão do relatório no processo, a investigação passou a tramitar sob segredo de Justiça. O laudo, no entanto, não traz detalhes sobre os “contratos de investimentos” nem menciona os cerca de R$ 61 milhões que teriam sido pagos a Flávio Bolsonaro pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Neste sábado (13), completa-se um mês da divulgação dos áudios em que Flávio cobra repasses de Vorcaro.

“Tá num momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”, diz o senador, em áudio enviado ao banqueiro em 8 de setembro de 2025.

Ainda de acordo com o laudo enviado à Justiça, elaborado como forma de antecipação de produção de provas, os US$ 13,39 milhões foram aportados pelo fundo Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos e ligado ao advogado Paulo Calixto, aliado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. O currículo profissional de Calixto, porém, não registra atuação nas áreas financeira ou cinematográfica.

Calixto se apresenta como especialista em migração, com mais de 20 anos de experiência, e atuação perante órgãos como o U.S. Citizenship & Immigration Services (USCIS) e o Departamento de Estado dos Estados Unidos. O advogado também destaca experiência em processos relacionados ao visto EB-5, modalidade que concede residência permanente a investidores estrangeiros.

Investigação municipal

Em outra frente, a Controladoria Geral do Município de São Paulo abriu investigação para apurar, entre outros pontos, se recursos dos contratos de wi-fi foram destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro. Em 28 de maio, a corregedora-geral paulistana, Carolina Magnani Hiromoto, enviou ofício ao delegado Luis Augusto Castilho Storni solicitando colaboração policial para que provas do inquérito sejam compartilhadas com a prefeitura.

O pedido foi aceito pelo delegado. O processo que tramita na Controladoria também está sob sigilo.